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Qual A DiferençA Entre?

Qual a diferença entre endemia epidemia e pandemia?

Em março de 2022, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a COVID-19 como uma pandemia, muita gente se perguntou: Mas o que isso quer dizer? E qual é a diferença entre endemia, epidemia, pandemia e surto ? A resposta, basicamente, tem relação com a escala e a frequência com a qual uma doença está contaminando as pessoas.

É por isso que muitos países estão decidindo tratar o coronavírus como uma endemia. Mas o que isso significa? A COVID-19 está chegando ao fim? Acalme-se, pois neste artigo explicamos tudo! Entenda as diferenças entre endemia, epidemia e pandemia com exemplos que deixam tudo mais fácil. Veja também as implicações da mudança de pandemia para endemia no combate ao SARS-C0V-2.

Boa leitura!

Qual é a diferença entre pandemia?

Desde o final de 2019, a palavra “pandemia” se tornou comum no nosso dia a dia. Mas você sabe o que ela significa? E o que a diferencia de outras expressões que também indicam a proliferação de doenças, como surto, epidemia e endemia? Uma enfermidade se torna uma pandemia quando atinge níveis mundiais, ou seja, quando determinado agente se dissemina em diversos países ou continentes, usualmente afetando um grande número de pessoas.

  1. Quem define quando uma doença se torna esse tipo de ameaça global é a Organização Mundial da Saúde (OMS).
  2. Uma pandemia pode começar como um surto ou epidemia; ou seja, surtos, pandemias e epidemias têm a mesma origem – o que muda é a escala da disseminação da doença.
  3. Um surto ocorre quando há aumento localizado do número de casos de uma doença.

“É possível ocorrer um surto de uma doença até dentro de um hospital, causado, por exemplo, por uma infecção hospitalar”, explica a diretora do Laboratório de Virologia do Instituto Butantan, Viviane Fongaro Botosso. Uma epidemia, por sua vez, se dá quando ocorre um aumento no número de casos de uma doença em diversas regiões, estados ou cidades, porém sem atingir níveis globais. Os primeiros relatos de casos de SARS-CoV-2 surgiram no fim de 2019 na cidade de Wuhan, na China. Em março de 2020, o vírus já havia se disseminado globalmente, levando a OMS a declarar a pandemia. Outro exemplo de pandemia bastante conhecido é a gripe espanhola, que afetou o mundo em 1918 e matou de 30 a 50 milhões de pessoas.

A doença se disseminou globalmente principalmente devido à movimentação de tropas durante a 1ª Guerra Mundial. As ações humanas e as pandemias Há diversas formas de um vírus encontrar o ser humano, dando início a uma doença que até então não afetava pessoas (como é o caso da Covid-19). Uma delas é causada pela degradação do meio ambiente.

Um exemplo: existem doenças que só atingem animais. A partir do contato constante entre animais e seres humanos, muitas vezes provocado pela destruição de habitats naturais, um vírus (que, às vezes, nem sabíamos que existia) pode infectar uma pessoa por acidente, ocasionando doença.

Inicialmente, esse vírus pode não ter a capacidade de se transmitir entre seres humanos e se estabelecer na população. Mas ele pode achar uma forma de se adaptar a receptores humanos, reconhecê-los e, com isso, aprender a se replicar com eficiência. Quando este novo vírus encontra uma população que nunca teve contato com ele e não tem anticorpos para combatê-lo, consegue se proliferar com mais facilidade, favorecendo sua transmissão para outras pessoas e ocasionando surtos, epidemias ou pandemias.

Diversos fatores fazem com que uma doença se estabeleça em uma sociedade: facilidade de transmissão, patogenicidade (o que determina se um organismo é capaz de causar doença em um hospedeiro), e até as mutações dos micro-organismos. “Os outros coronavírus humanos, SARS-CoV e MERS não tinham essa capacidade de se transmitir entre humanos tão bem como o SARS-CoV-2”, explica Viviane.

Além disso, ambos apresentavam sintomas mais rapidamente, permitindo que os pacientes fossem isolados prontamente, limitando a disseminação e favorecendo o controle da doença. Alguns micro-organismos têm a capacidade de sofrer variações conforme sobrevivem na população, como é o caso das novas cepas do SARS-CoV-2 – muitas delas mais agressivas que a versão original do vírus.

Como combater Existem formas de combater as doenças infecciosas enquanto a vacina ainda não está disponível, desde que se conheça o agente e como ele é transmitido. O SARS-CoV-2 se propaga por gotículas espalhadas por pessoas doentes; por isso, recomenda-se o uso de máscara, distanciamento social e higienização constante das mãos. A melhor forma de se prevenir contra doenças infecciosas é a vacinação. Quando as pessoas deixam de se vacinar, podem levar às chamadas “falhas vacinais” e, assim, doenças que eram consideradas eliminadas podem voltar. Em 2019, com o ressurgimento de casos de sarampo causados pela reintrodução do vírus no Brasil, aliado ao aumento do número de pessoas suscetíveis por não estarem vacinadas, o país perdeu o certificado de erradicação do sarampo que havia recebido em 2016 da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS/OMS).

Quando ocorre a pandemia?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o Covid-19, causado pelo novo coronavírus, já é uma pandemia, Segundo a Organização, pandemia é a disseminação mundial de uma nova doença e o termo passa a ser usado quando uma epidemia, surto que afeta uma região, se espalha por diferentes continentes com transmissão sustentada de pessoa para pessoa.

  • A OMS tem tratado da disseminação em uma escala de tempo muito curta, e estamos muito preocupados com os níveis alarmantes de contaminação.
  • Por essa razão, consideramos que o Covid-19 pode ser caracterizado como uma pandemia “, afirmou o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom.
  • Antes da Covid-19, a pandemia mais recente havia sido em 2009, com a chamada gripe suína, causada pelo vírus H1N1,

Acredita-se que o vírus veio do porco e de aves, e o primeiro caso foi registrado no México. A OMS elevou o status da doença para pandemia em junho daquele ano, após contabilizar 36 mil casos em 75 países. No total, 187 países registraram casos e quase 300 mil pessoas morreram.

  • O fim da pandemia foi decretado pela OMS em agosto de 2010.
  • A Covid-19 vem se somar a uma lista extensa e que percorre um vasto período de tempo, como podemos conferir abaixo: Peste do Egito (430 a.C.) – a febre tifoide matou um quarto das tropas atenienses e um quarto da população da cidade durante a Guerra do Peloponeso.

Esta doença fatal debilitou o domínio de Atenas, mas a virulência completa da doença preveniu sua expansão para outras regiões, a doença exterminou seus hospedeiros a uma taxa mais rápida que a velocidade de transmissão. A causa exata da peste era por muitos anos desconhecida; em janeiro de 2006, investigadores da Universidade de Atenas analisaram dentes recuperados de uma sepultura coletiva debaixo da cidade e confirmaram a presença de bactérias responsáveis pela febre tifoide.

Peste Antonina (165–180) – possivelmente causada pela varíola trazida próximo ao Leste; matou um quarto dos infectados. Cinco milhões no total. Peste de Cipriano (250–271) – possivelmente causada por varíola ou sarampo, iniciou-se nas províncias orientais e espalhou-se pelo Império Romano inteiro. Segundo relatado, em seu auge chegou a matar 5 000 pessoas por dia em Roma.

Peste de Justiniano (541-x). A primeira contaminação registrada de peste bubônica. Começou no Egito e chegou à Constantinopla na primavera seguinte, enquanto matava (de acordo com o cronista bizantino Procópio de Cesareia) 10 000 pessoas por dia, atingindo 40% dos habitantes da cidade.

  • Foi eliminada até um quarto da população do oriente médio.
  • Peste Negra (1300) – oitocentos anos depois do último aparecimento, a peste bubônica tinha voltado à Europa.
  • Começando a contaminação na Ásia, a doença chegou à Europa mediterrânea e ocidental em 1348 (possivelmente de comerciantes fugindo de italianos lutando na Crimeia), e matou vinte milhões de europeus em seis anos, um quarto da população total e até metade nas áreas urbanas mais afetadas.

Gripe Espanhola (1918-1920) – A “gripe espanhola” foi uma pandemia do vírus influenza (H1N1) que, entre janeiro de 1918 e dezembro de 1920, infectou 500 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população mundial na época. Estima-se majoritariamente que o número de mortos esteja entre 17 milhões a 50 milhões, com algumas projeções indicando até 100 milhões.

O que é endemia na biologia?

O que é endemia? – A endemia é a classificação dada para doenças que ocorrem com frequência em uma região delimitada e se mantêm restritas à ela. Popularmente, se fala que a doença é “típica” daquele local. Assim, o conceito de endemia não está relacionado com a quantidade de casos notificados em uma região geográfica.

Dessa forma, uma característica das endemias é manterem-se concentradas em uma região e não se espalharem para outros locais. A endemia também pode ser sazonal, isto significa que ela não ocorre da mesma forma durante todo o ano, mas pode ser mais pronunciada em uma determinada época do ano. Por exemplo, a febre amarela e a malária, devido ao seu mosquito vetor, que tem preferência por locais úmidos e quentes, pode ser mais comum no verão do que em outras estações.

Exemplos de doença endêmicas são a febre amarela e a malária no norte do Brasil, Quando viajamos para regiões que possuem doenças endêmicas, é recomendada a vacinação prévia, no caso das doenças para as quais existem vacinas.

O que quer dizer a palavra endêmica?

publicado 05/09/2019 00h00, última modificação 27/09/2023 09h08 O termo doença endêmica ou endemia é utilizado para definir qualquer doença localizada ou com uma grande incidência em um espaço limitado denominado de “faixa endêmica”, seja esse um estado ou um país.

Essas enfermidades foram o foco da saúde pública brasileira por quase um século até que com a chegada da urbanização, da ampla disponibilidade de água encanada, melhores condições de saneamento e o desenvolvimento de diversas políticas e estratégias de controle, observou-se uma diminuição considerável na incidência dessas complicações.

No Brasil costumam ocorrer em áreas rurais ou urbanas com problemas de saneamento básico. A maioria dessas doenças é de ordem parasitária ou são transmitidas por vetores (organismos que servem de veículo para a transmissão de doenças, ex: mosquitos, moluscos).

Os principais exemplos são esquistossomose, leishmaniose, leptospirose e hanseníase, A esquistossomose, ou barriga d’água como é popularmente conhecida, se qualifica como uma verminose parasitária desencadeada pela infecção do agente etiológico Schistosoma mansoni, que dispõe como vetor o caramujo em água doce, posteriormente contaminada.

As manifestações clínicas surgem após o alojamento do verme nas veias do mesentério e do fígado, sendo estas identificadas com sintomas agudos como: febre, cefaleia, fraqueza, tosse e diarreia, sendo este último agravado na forma crônica. Figura 1 – Ovo do parasita Schistosoma mansoni evidenciados nas fezes dos indivíduos acometidos pela esquistossomose Qual A DiferençA Entre Fonte: http://scan.myspecies.info/file-colorboxed/647 Como tratamento de primeira linha é prescrito o Praziquantel, administrado via oral em dose única de 50mg/kg para adultos e 60mg/kg para uso pediátrico, sob a forma de comprimidos de 600mg. Como segunda escolha de tratamento, quando necessário, é prescrito Oxamniquina, também administrada via oral em adultos numa dose única de 15mg/kg e em crianças a 20mg/kg, receitada na forma de cápsulas de 250mg.

A Leishmaniose é uma doença infecciosa e não contagiosa, provocada por parasitas do gênero Leishmania tem como fonte de transmissão principal os animais silvestres e insetos infectados com o parasita, podendo o hospedeiro ser o cão doméstico. Esses parasitas atacam o sistema imunológico, existindo dois tipos: a leishmaniose tegumentar ou cutânea e a leishmaniose visceral ou calazar.

A primeira, é caracterizada por feridas na pele com frequência nas partes descobertas do corpo, podendo, mais tarde, aparecer feridas na boca, garganta e boca, sendo caracterizada por “ferida brava”. Já a visceral ou calazar é uma doença sistêmica pois atinge órgãos internos, principalmente o baço, fígado e a medula óssea. Fonte: https://camocimimparcial.blogspot.com/2013/01/picada-de-mosca-tambem-causa-doenca.html Figura 3 – Paciente acometido por leishmaniose visceral Fonte: http://www.medicinapratica.com.br/2010/12/23/saude-medicina-pratica/calazar-leishmaniose-visceral-quais-os-sintomas/ A prevenção dessas doenças compreende a não construção de casas próximas à mata, utilizar repelentes e usar telas protetoras em janelas e portas.

O tratamento da doença disponível no SUS é principalmente com o fármaco antimoniato de meglumina, constituindo-se uma solução injetável, tendo cada ampola de 5mL e em cada mL contém 81 mg/mL de antimônio pentavalente. O cálculo de dosagem é realizado em mg/Kg/dia/Sb+5: recomenda-se não ultrapassar 3 ampolas.

A administração do medicamento depende do tipo de leishmaniose, por exemplo, a visceral é recomendada a administração parenteral de 20 mg/Kg/dia de antimônio pentavalente (Sb+5) durante 20 dias consecutivos. Já na tegumentar, há uma variação de 10 a 20 mg de Sb+5/Kg/dia com tempos diferentes a depender o grau e evolução da doença.

  1. A Leptospirose é uma doença infecciosa, causada por uma bactéria chamada Leptospira interrogans, que se estabelece nos rins de ratos e outros animais (bois, porcos, cavalos, cães e cabras também podem adoecer e, eventualmente, transmitir a leptospirose ao homem).
  2. As leptospiras penetram no corpo pela pele, principalmente por arranhões ou ferimentos, e também pela pele íntegra, imersa por longos períodos na água ou lama contaminada.

Figura 4 – Agente etiológico da leptospirose ( Leptospira interrogans) Fonte: http://www.medicinapratica.com.br/2010/03/26/saude-medicina-pratica/leptospirose-o-que-e-2/ A doença é transmitida através de água contaminada com urina de um animal, geralmente de roedores, infectado ou por manipulação de tecidos de um animal infectado.

  1. A população considerada de risco, é a exposta a rios, córregos e águas paradas contaminadas, trabalhadores rurais e manipuladores de carne e veterinários.
  2. Os principais sintomas são febre, dor de cabeça e dores pelo corpo, principalmente nas panturrilhas.
  3. Podem também ocorrer vômitos, diarreia e tosse.

Nas formas graves, geralmente aparece icterícia (pele e olhos amarelados), sangramento e alterações urinárias. Pode haver necessidade de internação hospitalar. Para fins de diagnóstico, o método laboratorial de escolha depende da fase evolutiva em que se encontra o paciente.

O tratamento dessa infecção é feito com antibioticoterapia (penicilina ou doxiciclina) em qualquer período da doença, mas sua eficácia parece ser maior na 1ª semana do início dos sintomas. E a prevenção ocorre por meio de medidas como obras de saneamento básico, controle de roedores e evitando o contato com água ou lama de enchentes e impedir que crianças nadem ou brinquem nessas águas.

Pessoas que trabalham na limpeza de lama, entulhos e desentupimento de esgoto devem usar botas e luvas de borracha (ou sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés). A Hanseníase é uma doença crônica transmissível de investigação obrigatória em todo o país, causada pelo Bacilo Micobacterium leprae, que possui a capacidade de infectar um grande contingente, além de poder danificar o sistema nervoso e a pele, características que conferem à doença um alto poder incapacitante.

  • A infecção pode ocorrer em pessoas de qualquer idade.
  • Contudo, é necessário muito tempo de exposição à bactéria, de modo que apenas uma parcela da população infectada demonstra os sintomas, que são a aparição de manchas na pele, dor e sensação de choque ao longo dos nervos dos membros, úlceras nas pernas e pés, febre edemas e dor nas juntas, etc.

A hanseníase é transmitida pelas vias aéreas superiores (tosse ou espirro), por meio do convívio próximo e prolongado com uma pessoa doente sem tratamento. A doença apresenta longo período de incubação, ou seja, tempo em que os sinais e sintomas se manifestam desde a infecção.

Geralmente, é em média de 2 a 7 anos. Há referências com períodos mais curtos, de 7 meses, como também mais longos, de 10 anos. O diagnóstico é realizado por meio de exames gerais, dermatológicos e neurológicos para identificação de comprometimentos em nervos e regiões da pele. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza o tratamento e acompanhamento da doença em unidades básicas de saúde e em referências.

Figura 5 – Manifestações cutâneas da hanseníase Qual A DiferençA Entre Fonte: http://www.dinomarmiranda.com/2019/01/hanseniase-brasil-e-o-segundo-pais-com.html O tratamento da doença é realizado com a Poliquimioterapia (PQT), uma associação de antimicrobianos recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Essa associação diminui a resistência medicamentosa do bacilo, que ocorre com frequência quando se utiliza apenas um medicamento, o que acaba impossibilitando a cura da doença. Os medicamentos são seguros e eficazes. O paciente deve tomar a primeira dose mensal supervisionada pelo profissional de saúde. As demais são auto administradas. Ainda no início do tratamento, a doença deixa de ser transmitida. Familiares, colegas de trabalho e amigos, além de apoiar o tratamento, também devem ser examinados. REFERÊNCIAS FOSS, Norma Tiraboschi. Hanseníase: aspectos clínicos, imunológicos e terapêuticos. Anais brasileiros de imunologia, Rio de Janeiro, v.74, n.2, 1999. SILVA, Luiz Jacintho da. O controle das endemias no Brasil e sua história, Ciência & Cultura, São Paulo, v.55, n.1, p.44-7, jan./fev.2003. Ministério da saúde. Leptospirose, Disponível em : http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/leptospirose#oque >. Acesso em agosto de 2019. Manual MSD. Versão para profissionais da saúde: leptospirose, Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/doen%C3%A7as-infecciosas/espiroquetas/leptospirose >. Acesso em agosto de 2019. Brasil, Ministério da Saúde, & Secretaria de Vigilância em Saúde. ” Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso. ” (2010). Acesso em agosto de 2019. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Esquistossomose: causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção, Disponível em: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/esquistossomose. Governo do Brasil.2018. Disponível em: http://legado.brasil.gov.br/noticias/saude/2017/08/sus-oferece-diagnostico-e-tratamento-gratuitos-contra-a-leishmaniose > Acesso em agosto de 2019. Biblioteca virtual em saúde. Leishmaniose,2007. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/126leishmaniose.html > Acesso em agosto de 2019. GLUCANTIME® (antimoniato de meglumina) Sanofi-Aventis Farmacêutica Ltda. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/datavisa/fila_bula/frmVisualizarBula.asp?pNuTransacao=991282015&pIdAnexo=2435258 > Acesso em agosto de 2019.

Quais são os tipos de doenças endêmicas?

Essas doenças foram e são, a malária, a febre amarela, a esquistossomose, as leishmanioses, as filarioses, a peste, a doença de Chagas, além do tracoma, da bouba, do bócio endêmico e de algumas helmintíases intestinais, principalmente a ancilostomíase.

O que pode causar uma epidemia?

Causas de uma epidemia Manifestações coletivas de doenças marcaram a história da humanidade. Porém, apesar de inúmeras semelhanças, o surto do novo coronavírus é inédito em vários aspectos. O momento é sem paralelo na história, mas, se não fosse o aprendizado do passado, os rumos poderiam ter sido ainda mais trágicos Texto Robson Rodrigues Que novos vírus surgiriam, isso estava claro para a comunidade científica.

A pergunta era quando. Porém, poucos previram a chegada do novo coronavírus especificamente e suas exatas consequências. Mesmo com uma linha do tempo marcada e transformada por epidemias, o mundo vive diversos aspectos inéditos com a covid-19. Porém, em alguns pontos, a história se repete: pânico, desinformação, culpabilizações infundadas, receitas milagrosas para a cura.

Mas, afinal, o que causa uma pandemia? Os fatores são múltiplos e incluem aglomerações populacionais, contato com animais silvestres, deficiências na estrutura sanitária, entre outros. E por trás de todos eles, está um agente em comum: a ação humana. Quanto mais urbanizados os humanos se tornaram, dominando a natureza, construindo cidades e rotas de comércio que conectam lugares distantes, mais suscetíveis ficaram às epidemias.

E quando aparece uma forte ameaça causada por microrganismo, a sociedade tem que se reorganizar e criar medidas para reduzir danos. A vantagem, hoje, é que temos recursos tecnológicos que permitem entender um pouco melhor o agente infeccioso, como ele se comporta e por onde viaja, apesar dos vários mistérios que envolvem ainda o novo coronavírus.

Por outro lado, as redes sociais ampliam a disseminação de notícias falsas, o que atrapalha o controle sanitário. O mundo já viveu epidemias tão mortais como a covid-19, a exemplo da praga de Justiano, a peste negra, a gripe espanhola, o HIV/Aids, entre outras.

  • Cada uma matou dezenas de milhões de pessoas.
  • Também não é a primeira vez que os coronavírus causam preocupação.
  • A infecção atual de Sars-Cov-2 é parente da Sars-Cov-1 (do inglês, Severe Acute Respiratory Syndrome), responsável pela contaminação de cerca de 8 mil pessoas em 29 países entre 2002 e 2004.

Em 2012, outro coronavírus, o Mers-Cov (do inglês, MIddle East Respiratory Syndrome), atingiu 2.220 pessoas no Sudoeste Asiático. Em resposta às ameaças microscópicas, a comunidade internacional se organizou no início do século 21 para estabelecer medidas unificadas de enfrentamento às epidemias, o que garantiu uma redução de danos significativa na pandemia de 2020.

  • Semelhanças e diferenças Até o fim do século 19, pouca coisa tinha se aprendido com as epidemias.
  • Somente quando se descobriu que microrganismos, como as bactérias, podem provocar doenças, foi possível pensar em medidas comprovadamente eficazes para prevenir infecções.
  • Passou-se a tratar a água para consumo, direcionar esgoto, aumentar cuidados de higiene pessoal, isolar pessoas que tinham doenças específicas.

A mortalidade caiu drasticamente com essas ações. Então, com a descoberta dos primeiros antibióticos e o desenvolvimento das vacinas, a humanidade entrou em outra etapa da história. O infectologista Stefan Cunha Ujvari, autor do livro História das epidemias (ed.

  1. Contexto LV, 2020) e médico do Hospital Oswaldo Cruz, conta que a demora em reconhecer as doenças se repetiu ao longo do tempo.
  2. As epidemias geram pânico, diminuem o comércio, atrapalham a economia.
  3. Então os governantes, historicamente, sempre negaram o problema inicialmente”, explica.
  4. Para o pesquisador, isso atrapalha colocar em prática medidas de combate às doenças.

Ele usa como exemplo a epidemia de meningite no Brasil, durante os anos 1970, quando os militares, então no poder, tentaram esconder informações da população, proibindo médicos e a imprensa de falarem sobre o assunto. Segundo Stefan Cunha Ujvari, as maiores epidemias guardam muita coisa em comum.

  • As semelhanças são impressionantes.
  • As pessoas sempre entram pânico.
  • Ficam desesperadas sem entender o que está acontecendo, e também ansiosas por uma resposta, um tratamento rápido.
  • Elas passam a cobrar mais dos órgãos do governo por medidas eficazes porque estão em pânico.
  • Surge então uma variedade de medicamentos que seriam a salvação.

Começa-se a acreditar em diversas fórmulas, chás, alimentos. Também aparecem as fakes news, ou os boatos, que sempre estiveram presentes nas epidemias ao longo da história”, resume o especialista. Era comum que surgissem remédios supostamente milagrosos que ganhavam adesão popular apesar da eficácia contestada em laboratório.

Algo similar ao que ocorre hoje, com a indicação de uso de uma série de medicamentos para o tratamento da covid-19 que ainda carecem de comprovação científica. A origem animal do coronavírus seria outro ponto em comum da covid-19 com a maioria das doenças infectocontagiosas humanas. “Assim como o HIV, que veio de um animal silvestre, o chimpanzé”, compara Ujvari.

Apesar das inúmeras semelhanças que a epidemia do novo coronavírus tem com outras do passado, o momento é sem paralelo na história. É a primeira vez que praticamente o mundo todo fecha fronteiras, aplica distanciamento social e lockdow (bloqueio total), uma medida de segurança radical em que o cidadão fica proibido pelo governo de sair de casa e circular por áreas públicas sem motivo emergencial.

A internet, bem mais difundida do que dez anos atrás, também entrou em cena. Segundo o pesquisador Georgios Pappas Júnior, professor do Departamento de Biologia Molecular da Universidade de Brasília (UnB), vivemos um cenário sem precedentes. “A primeira pandemia da era da conectividade social pela internet teve como consequência uma outra pandemia, não biológica, caracterizada por narrativas não científicas que espalham, em profusão, notícias falsas sobre origem, prevenção, contenção e tratamentos”, explica o docente.

“Neste contexto, cientistas são encarados em um gradiente que vai desde vilões até salvadores”, completa Georgios Pappas, que também ressalta que uma das particularidades da covid-19 é a ampla manifestação de quadros clínicos, que variam de assintomáticos até graves síndromes respiratórias.

  1. Experiências passadas Segundo o pesquisador Georgios Pappas Júnior, o surgimento de aglomerados populacionais propiciou o aparecimento das primeiras epidemias.
  2. O estabelecimento da agricultura desencadeia a organização da sociedade humana em cidades.
  3. Essa aglomeração fornece aos agentes patogênicos condições para uma rede de disseminação ampla, seja na forma de contato pessoal, seja pelo ar, como ocorre com a covid-19 e a gripe, por exemplo”, explica o docente.

Outro agravante é o contato com animais silvestres em diferentes partes do mundo, principalmente pela domesticação. Sabe-se que o vírus do sarampo acometia o gado (que gerava a peste do gado), cuja domesticação propiciou aos humanos contato com o vírus de origem zoonótica.

  1. De forma semelhante, evidências mostram que a varíola teria sofrido mutação a partir da criação de camelos.
  2. Durante o Império Romano, que começou em 27 a.C.
  3. E terminou em 476 d.C., a cidade de Roma concentrava um milhão de pessoas e fazia conexão com diversas partes do mundo.
  4. A capital possuía sistemas sofisticados de esgoto e aqueduto, casas de banho e banheiros públicos.

Essa estrutura sanitária e os hábitos de higiene deixaram a cidade livre de infecções por comida e água. Mas foi lá também que surgiram as primeiras grandes epidemias. Ao todo, 11 pestes assolaram a região. Entre elas, varíola e sarampo. Isso pode ser explicado pela troca de agentes infecciosos com outras partes do mundo e por a cidade abrigar grande população pobre, que muitas vezes morava em casas pequenas com várias pessoas.

No século 14, a população europeia tinha se expandido e concentrava cerca de 75 milhões de habitantes. O comércio, alavancado pelas cruzadas, fervilhava. O ambiente foi propício para a peste negra, considerada a pandemia mais letal da história. A doença, provocada pela bactéria Yersinia pestis, provavelmente disseminou-se na Europa a partir de uma das colônias da antiga República de Gênova, região atualmente localizada no norte da Itália.

Era transmitida principalmente por pulgas, que tinham como principal hospedeiro os ratos, levados no porão das embarcações. As pulgas saltavam dos roedores quando o hospedeiro morria e infectavam as pessoas. A doença foi batizada de peste negra, pois deixava as extremidades enegrecidas pela falta de pressão no corpo, em decorrência da generalização da infecção pelos vasos sanguíneos.

Caso a bactéria chegasse ao pulmão, podia ser expelida também pela tosse, aumentando as fontes de contaminação. A peste varreu todo o continente em dois anos. Estima-se que um terço da população europeia tenha morrido por complicações da doença. A tragédia também atrapalhava a economia ao reduzir o comércio em função das mortes.

“Na Idade Média, o saneamento básico criado no Império Romano foi perdido. A população usava água do rio com dejetos humanos. Por isso, epidemias de diarreias eram muito frequentes”, explica o infectologista Stefan Cunha Ujvari. “Eram outros tempos, e era muito mais difícil combater as infecções porque se desconhecia a origem delas.

  1. Na peste negra, os ratos circulavam nas casas e nem se imaginava que eram a fonte da contaminação”, contextualiza.
  2. Segundo ele, os judeus foram culpados por provocar a epidemia, perseguidos e mortos.
  3. Noutra tentativa de se livrar do agente infeccioso por meio da superstição, as pessoas doentes se autoflagelavam para se purificar dos pecados.

Apesar do impacto devastador da peste negra, segundo Stefan Ujvari, em números absolutos, o extermínio de indígenas dos continentes americanos por conta de epidemias foi superior. Os europeus trouxeram o sarampo, a varíola e a gripe para uma população que nunca tinha tido contato com esses agentes.

  1. Segundo ele, mais da metade dos índios americanos morreram ao longo dos séculos por essas doenças.
  2. O número de epidemias saltou no século 19.
  3. A Revolução Industrial favoreceu a disseminação de doenças, por conta do crescimento das cidades.
  4. A classe operária era má alimentada e várias famílias precisavam dividir espaços pequenos em cortiços.
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Essas condições favoreciam a transmissão de doenças de pessoa para pessoa. Foi o século da tuberculose, difteria, coqueluche, escarlatina, além das epidemias que persistiam ali, como a de sarampo e de varíola. “Em várias cidades industriais, metade das crianças não chegava aos cinco anos de idade.

Nas cidades, também havia muitas nuvens de fuligem, que impediam a entrada de luz do sol. Com isso, epidemia de raquitismo era tão comum quanto a epidemia de obesidade atualmente, observa Stefan Cunha Ujvari. Num dos cortiços que visitou, o médico inglês John Snow (1813-1858) observou que o sistema de esgoto tinha rachaduras que possibilitavam que a água consumida fosse contaminada com dejetos humanos.

Foi a primeira evidência que teve para explicar a epidemia de cólera iniciada em meados dos anos 1850, que provocava diarreias persistentes e descoramento da pele, matando mais de 20 mil britânicos em uma década. Sua convicção de que a água contaminada carregava os microorganismos (bactérias) agentes da doença sofreram rejeição numa época em que ainda se acreditava na existências de miasmas (nome dado a ares de odor pútrido que se supunha provocar doenças).

Ele insistiu em defender sua tese e, após diversas demonstrações, provou que a cólera está ligada diretamente ao saneamento básico e aos hábitos de higiene. No século seguinte, a gripe espanhola matou entre 20 e 50 milhões de pessoas em todo o mundo. Apesar do nome, a ideia mais aceita é a de que a enfermidade tenha surgido nos Estados Unidos, em campos de soldados que se preparavam para lutar na 1ª Guerra Mundial.

Foi levada para a Europa, depois se espalhou pelo mundo, matando bem mais do que a disputa bélica. É causada por um vírus influenza, subtipo H1N1, e transmitida por meio de secreções respiratórias. Em função dela, grandes eventos foram cancelados, na época, para evitar aglomerações, estádios viraram posto de atendimento para dar conta da demanda.

  • Surgiu o movimento batizado de Liga Anti-Máscara.
  • A médica veterinária e professora de Agronomia e Medicina Veterinária da UnB Lígia Maria Cantarino da Costa compara a gripe espanhola com a atual pandemia: “É interessante ver nos jornais da época como a população se comportava e as medidas de contenção adotadas.

Havia uma forte negação da gravidade da doença, as pessoas se recusavam a ficar em casa. Comparando, as ações são muito parecidas com as de hoje”. Stefan Cunha Ujvari conta que os falsos tratamentos eram muito procurados. “Quando a mortalidade da doença ficou evidente para a população, começaram o pânico e as receitas milagrosas.

Acreditava-se que a cachaça poderia curar porque esterilizava a garganta. Faziam também gargarejo com substâncias de eucalipto, alho ou limão. Esgotaram esses ingredientes nos mercados”, afirma o infectologista, lembrando que a famosa caipirinha surgiu como um remédio alternativo da época para a doença.

Segundo ele, o quinino foi outro remédio considerado milagroso usado durante a gripe espanhola. O curioso é que a substância usada para tratar malária é parente da cloroquina, pois ambos possuem similaridades em suas estruturas químicas. Redução de danos Nos últimos 20 anos, cinco grandes crises sanitárias se espalharam por diferentes partes do globo: Sars (2002), gripe aviária (2003), gripe suína (2009) e ebola (que teve os principais surtos no anos 1970 e reapareceu em 2000), todas mais brandas do que as vistas nos séculos anteriores.

E a comunidade internacional estava relativamente organizada para uma crise futura. No início deste século, começaram os esforços no mundo para se preparar para a potencial ameaça da influenza aviária (IA) de alta patogenicidade, muito mais mortal do que o novo coronavírus. “Por sorte, ela não ocorreu, tendo se manifestado apenas em poucas regiões”, avalia a pesquisadora Lígia da Costa.

“A suspeita sobre essa influenza contribui para que o Brasil se organizasse diante de um Regulamento Sanitário Internacional (RSI)”, explica. O RSI, ao qual a especialista se refere, é um acordo revisado e restabelecido em 2005 pelos 196 países em todo o mundo.

O trabalho unificado lança estratégias de prevenção, divulgação e controle da cólera, peste, febre amarela e, mais recentemente, da IA de Alta Patogenicidade. “Quando começaram a surgir os primeiros casos da influenza de 2009, já se tinha grupos de trabalhos para esse tipo de enfrentamento”, recorda a docente da UnB.

Com isso, o arcabouço sanitário, as legislações e as estratégias de ação para a covid-19 foram desenvolvidas mais agilmente. Ela acrescenta que “o Brasil tem uma potência a seu favor que é o Sistema Único de Saúde (SUS), que permite criar ações de forma padronizada.

É uma estrutura sanitária importantíssima”, avalia. Problemas recorrentes O desenvolvimento de vacinas fez com que doenças fossem extintas. A varíola foi a primeira, 40 anos atrás. Em 2016, foi anunciado que as Américas erradicaram o sarampo graças às campanhas de vacinação. No entanto, a doença provocada por vírus voltou a ameaçar dois anos depois e chegou a contaminar mais de 10 mil pessoas no Brasil entre 2018 e 2019.

Outro surto foi identificado este ano, concomitante à pandemia do novo coronavírus. A reincidência da infecção pode ser explicada em parte pela propagação de notícias falsas a respeito das vacinas. Em consequência, nenhuma meta de vacinação do Ministério da Saúde para o primeiro ano de vida dos bebês foi atingida no ano passado.

O coronavírus está recebendo mais atenção e cuidados, mas outras epidemias estão acontecendo. A dengue continua grave e severa”, relata Lígia da Costa. Mosquitos, como o Aedes aegypti, por transmitirem doenças, são os animais que mais matam no mundo: são cerca de um milhão de óbitos por ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Eles se proliferam em abundância a cada verão. A principal medida de combate a esses insetos é não deixar água parada. O professor Georgios Pappas Júnior comenta sobre o papel fundamental das políticas públicas de saúde nas situações em que agentes infecciosos ameaçam a sociedade.

O Estado tem papel não somente na prevenção, mas na contenção e condução desses cenários. É preciso estabelecer o monitoramento dos focos incipientes de uma doença, alertar a população e agir na contenção”, esclarece. O pesquisador afirma ainda que, durante a progressão da doença, as condições hospitalares para tratamento devem ser garantidas.

E enumera os passos seguintes e as ações permanentes por parte do Estado. “Posteriormente, ações de prevenção futura, como campanhas de vacinação, saneamento básico e garantir a infraestrutura em unidades de saúde. Por fim, é muito importante ressaltar o imperativo de fomento a pesquisas científicas em diversas áreas para caracterizar os aspectos biológicos dos patógenos e da enfermidade, desenvolvimento de drogas e testes diagnósticos, modelagem estatística e desenvolvimento de softwares”.

Porque a dengue é considerada um grave problema de saúde pública?

Saúde pública, urbanização e dengue no Brasil

  • ARTIGOS
  • Saúde pública, urbanização e dengue no Brasil
  • Public health, urbanization and dengue’s fever in Brazil
  • Francisco de Assis Mendonça I ; Adilson Veiga e Souza II ; Denecir de Almeida Dutra III
  • I Universidade Federal do Paraná- Curitiba/PR Brasil –
  • II UNC Canoinhas- Canoinhas/SC Brasil –
  • III Universidade Federal do Paraná – Curitiba/PR Brasil –
  • RESUMO

A dengue, doença tropical, atinge, anualmente, de 50 a 80 milhões de pessoas, em mais de 100 países, incluindo o Brasil, sendo 20 mil, aproximadamente, o número de mortos. Esta doença, cujo controle ainda se faz, sobretudo, através do meio ambiente e do modo de vida, é enfocada no presente texto a partir de uma perspectiva histórico-geográfica.

A ênfase do estudo relaciona-se à problemática sócio-ambiental urbana, principalmente das últimas quatro décadas, dessa doença no espaço brasileiro. Nesta perspectiva são envolvidos o clima, a urbanização desorganizada e intensa, e a ineficácia das políticas públicas no controle dos vetores da doença no país.

Palavras-chave: Dengue. Urbanização. Políticas públicas. Brasil. ABSTRACT The Dengue’s fever, a tropical disease, hits, annualy, from 50 to 80 million people, in more than a hundred countries, including Brazil, and 20 thousand, approximately, is the the number of deaths.

This disease, with control is made by the environmental and social factors, is focused through geo-historical analysis, with emphasis on social and urban environmental issues, especially on last four decades on the brazilian space. Within this issue, there is the influence of climate, intensive and disorganized urbanization and ineffective public policies.

Keywords: Dengue’s fever. Urbanization. Public policies. Brazil.1. INTRODUÇÃO As doenças infecciosas são responsáveis pela morte de aproximadamente 14 milhões de pessoas por ano, e atingem principalmente a população de países em desenvolvimento. Contudo, menos de 1% dos mais de 1300 novos medicamentos desenvolvidos nos últimos 25 anos foram destinados a essas doenças.

Estes países, nos quais se encontram cerca de 80% da população mundial, respondem por apenas 20% do mercado de medicamentos. A doença do sono, por exemplo, atinge 500 mil pessoas e ameaça outras 60 milhões na África. A tuberculose vitima pelo menos 2 milhões de pessoas por ano e, mesmo assim, o último tratamento inovador foi desenvolvido há mais de 30 anos.

Dentre as doenças tropicais, a dengue tornou-se um problema de saúde pública não somente no Brasil, mas também em diversos países do mundo, pois cerca de 2,5 bilhões de pessoas vivem nas áreas onde os vírus da doença podem ser transmitidos (OMS, 2008).

A propagação geográfica dos vetores do mosquito e dos vírus conduziu à ressurgência global da dengue epidêmica e à emergência da febre hemorrágica nos últimos 25 anos, com o desenvolvimento da hiperendemicidade em muitos centros urbanos dos trópicos; atualmente ocorrem cerca de 50 milhões de infecções por ano, e destes, 500 mil casos são da febre hemorrágica.

Desse modo, o desafio para agências nacionais e internacionais da saúde é inverter a tendência da atividade epidêmica crescente da dengue e a incidência de febre hemorrágica. Diversos fatores concorreram para a recorrente formação de epidemias de dengue nos países tropicais e subtropicais dentre os quais destacam-se a proliferação do mosquito Aedes aegypti, o rápido crescimento demográfico associado à intensa e desordenada urbanização, a inadequada infraestrutura urbana, o aumento da produção de resíduos não-orgânicos, os modos de vida na cidade, a debilidade dos serviços e campanhas de saúde pública, bem como o despreparo dos agentes de saúde e da população para o controle da doença.

  1. Por outro lado, o vetor desenvolve resistências cada vez mais evidentes às diversas formas de seu controle.
  2. Nesta perspectiva o texto expõe, de forma introdutória, algumas reflexões acerca das inter-relações entre os aspectos históricos, políticos, urbanos e ambientais que influenciaram na expansão e retração das epidemias tropicais, com ênfase para dengue e suas diversas formas de ocorrência no espaço brasileiro.

Por se tratar de uma abordagem introdutória, envolvendo as questões de saúde coletiva, epidemiologia, geografia e desenvolvimento urbano, os procedimentos metodológicos adotados envolveram a realização de levantamentos bibliográficos em fontes diversas para construir o suporte teórico-prático da argumentação aqui apresentada.

A análise serve-se também de alguns exemplos e estatísticas na perspectiva de ilustrar a discussão desenvolvida, valendo-se, sobretudo, de fontes secundárias de dados para a ilustração dos fatos referenciados; boa parte dos dados envolvidos advém de resultados de pesquisas dos autores do texto, publicados em outros veículos de divulgação da ciência, sendo aqui empregados para consubstanciar a argumentação elaborada.2.

PRECEITOS DE EXPANSÃO E RETRAÇÃO DE EPIDEMIAS TROPICAIS À relação entre os mosquitos e a transmissão de doenças, travou-se um intenso combate na busca da melhoria da qualidade de vida das populações, que perpassaram pelas condições de planejamento urbano, valorização do saneamento básico, da higiene e da saúde pública, que resultou na conseqüente Reforma Sanitária, no contexto brasileiro.

Embora tenham sido realizados esforços na busca da erradicação das doenças transmissíveis com base no controle de seus vetores observa-se, na atualidade, a reincidência de algumas infecções causadas pelos mosquitos Aedes aegypti transmissores de dengue, malária e febre amarela, principalmente a partir dos anos setenta em diversas regiões do globo.

A malária, por exemplo, que havia sido controlada no Sri Lanka no início da década de sessenta apresentou, no final da década, registros que superaram a meio milhão de ocorrências, tornando-se endêmica até os dias atuais. Na Índia, as epidemias desta doença voltaram a constituir problema de saúde pública em 1976, ano no qual foram registrados cerca de sete milhões de casos.

No Brasil a situação é também preocupante, notadamente na porção centro-norte do país. Segundo Ujavari (2003, p.279) no fim do século XX, a malária apresentava-se como principal doença nos trópicos, momento no qual foram registrados duzentos milhões de casos por ano e dois milhões de mortes. Seguiu-se a dengue com cinqüenta a cem milhões de casos por ano e mais de vinte mil óbitos anuais.

No entanto, estas estatísticas podem ser alteradas em razão do surgimento e alastramento de sua forma mais grave dos últimos anos, a dengue hemorrágica. Vários fatores podem estar associados à expansão dos vetores destas doenças, dentre os quais destacam-se as alterações climáticas, mudanças nas paisagens e nos ecossistemas, estabelecimento de novos padrões e modos de vida da população, crescimento e concentração demográfica, debilidade dos serviços de saúde pública, além de aspectos atinentes à própria mutação de vírus e bactérias.

No caso específico da dengue, Mendonça ao examinar situações particulares na região Sul do Brasil, expõe que: A distribuição dos mosquitos, a freqüência de suas picadas e o período de incubação do vírus são afetados pela temperatura, pluviosidade e velocidade do vento; por exemplo, com uma temperatura de 27ºC, o período de incubação é de dez dias, no entanto a 37ºC esse período passa a ser de sete dias.

Além disso, a intermitência das chuvas no final da estação de verão e os ventos calmos acentuam a proliferação e atuação do vetor (2003, p.210). Um claro exemplo da influência das alterações do tempo e do clima na proliferação dos vetores de doenças transmissíveis, como a dengue e malária, é o fenômeno El Nino,

  1. A intensidade e o regime pluviométrico e térmico observados no biênio 1997 e 1998, por exemplo, incidiram diretamente na ocorrência de epidemias de dengue na Ásia e de malária no Quênia, país que tinha relatado seu último caso da doença em 1952.
  2. O El Nino de 1982 e 1983 já havia desencadeado epidemias de malária na Bolívia, Equador e Peru e o aumento dos casos na Colômbia.

Novamente esse evento climático desencadeou as epidemias de malária, no Paraguai e na Argentina em 1991 e 1992 e tornou cinco vezes maior a incidência da doença em Punjab, no Paquistão (UJAVARI, 2003). Apesar das constatações da influência climática no desencadeamento de epidemias de doenças transmissíveis, resta ainda em aberto a comprovação dos limiares ótimos para a formação das condições ideais de transmissão de muitas doenças transmitidas por vetores como os mosquitos.

Não subestimando, todavia, o papel do clima na incidência destas doenças, ressalta-se que o principal fator do retorno das mesmas reside na ineficácia de políticas públicas de saúde no que concerne ao controle dos vetores. Isso se dá por diversos motivos, que vão da excessiva burocracia à negligência da atenção aos cuidados com a saúde pública, até a carência de recursos financeiros, situação que se agrava devido à intensificação da miséria de determinadas regiões do globo.

A reincidência da dengue ilustra as conseqüências da falta de manutenção das medidas de combate aos mosquitos. Nas décadas de 1950 e 1960, após anos de intensos trabalhos de combate à febre amarela, o mosquito transmissor da doença (o mesmo vetor da dengue) foi efetivamente eliminado no Brasil.

  • Com o sucesso obtido naquela campanha, parece ter ocorrido uma despreocupação quanto ao controle do mosquito, principalmente numa época favorável à sua disseminação em decorrência da urbanização intensa e desorganizada no Brasil.
  • A re-emergência da doença no país, em meados dos anos setenta, apresentou uma preocupante e desafiadora progressão na última década, particularmente devido ao registro dos quatro sorotipos da doença e a proliferação do estágio hemorrágico da dengue em todos os estados da nação.

A intensificação da urbanização decorreu principalmente do avanço da industrialização, que atraiu grandes fluxos de mão-de-obra do campo, associada ao crescimento vegetativo da população urbana; no último meio século a urbanização brasileira caracterizou-se predominantemente por uma dinâmica desordenada e sem infra-estrutura adequada, com grandes contingentes populacionais em condições de pobreza e miserabilidade.

Segundo Jacobi (2004), historicamente, os processos de ocupação urbana evitavam, até meados do século XX, os terrenos mais problemáticos (altas declividades, solos frágeis e suscetíveis a erosão), que se encontravam mais distantes das áreas centrais, cuja pressão pela ocupação era menos intensa. Entretanto, a partir dos anos cinqüenta, com a exacerbação dos processos de periferização, mais intensamente nos últimos trinta anos, passaram a ocorrer dois movimentos simultâneos: a intensificação das intervenções na rede de drenagem (obras de retificação e canalização de rios, aterramento das várzeas e sua incorporação à malha urbana) e explosão na abertura de loteamentos de periferia.

Assim, a dinâmica da urbanização, pela expansão de áreas suburbanas produziu um ambiente urbano segregado e altamente degradado, com efeitos graves sobre a qualidade de vida de sua população (JACOBI, 2004). Cabe destacar que no passado, as condições precárias de saúde (como a falta de saneamento básico, habitação, condições de higiene, entre outros fatores) resultaram em baixo crescimento da população e consequentemente das taxas de urbanização.

  • No entanto, após uma intervenção do Estado nestes processos, que permitiu o controle de diversas epidemias que assolavam a população urbana, também proporcionou que houvesse a sua expansão e a promoção das transformações espaciais.
  • No caso da população mundial, que somente após dezenas de séculos ultrapassou o limiar de 1 bilhão de habitantes, no século XX cresceu exponencialmente para cerca de 6 bilhões de pessoas.

Essa elevação demográfica foi marcada pela intensificada concentração humana em cidades, particularmente no final do século, e de forma completamente desordenada e caótica, comprometendo os serviços básicos necessários ao bem estar e à qualidade de vida da população.

Deste modo, os impactos negativos do conjunto de problemas ambientais urbanos, constatados atualmente, resultaram principalmente da precariedade dos serviços e da omissão ou ineficácia do poder público na prevenção das condições de vida da população. A proliferação das doenças e o desencadeamento de epidemias, como a dengue, evidenciam também o débil papel da própria população na prevenção e controle das doenças, afinal não se deve imputar somente ao ambiente e ao Estado a responsabilidade por este tipo de problema, aspecto que coloca em xeque o interesse coletivo no trato da saúde pública (JACOBI, 2004).3.

O ESPAÇO URBANO E A SAÚDE Segundo Santos (2003, p.313), a técnica jamais existiu historicamente sem a política. É um equívoco imaginar que se poderia conceber a presença histórica da técnica sem o paralelo da política. É a política que decide o que fazer da técnica: em todos os tempos foi assim.

Inventam-se novas formas construtivas, mas não para humanizar a cidade. Ou seja, não é a cidade que é responsável pelos problemas, como tantas vezes se diz. A urbanização não é um mal. A urbanização permitiu avanços formidáveis em todas as áreas, inclusive da saúde. Não foi por causa da urbanização que os países subdesenvolvidos tiveram muitas dificuldades para enfrentar as questões de saúde, tanto do ponto de vista individual quanto do ponto de vista coletivo.

Concepções e iniciativas de caráter estanque marcaram, ao longo da história, a percepção e a ação humanas sobre a urbanização e a cidade. Todavia, no momento presente, faz-se míster avançar para tomar a cidade de um ponto de vista mais interativo, amplo, conjuntivo e holístico, afinal o urbano é, por natureza, um campo de estudos inter-multi-transdiciplinar.

Os problemas sócio-ambientais urbanos demandam, para sua solução mais eficiente, perspectivas que vão nessa direção (MENDONÇA, 2004). Para Freitas (2003) a preocupação com os efeitos na saúde provocados pelas condições ambientais e/ou urbanas é evidente desde a Antigüidade, envolvendo problemas tais como os efeitos do clima no balanço dos humores do corpo, os miasmas, as sujeiras e os odores; assim, sempre esteve presente nos diferentes discursos e práticas sanitárias que se constituíram como respostas sociais às necessidades e aos problemas de saúde.

Essa preocupação acentuou-se particularmente entre meados do século XVIII e século XIX, quando os problemas ambientais sobre a saúde estiveram associados aos efeitos do rápido e intenso processo de industrialização e urbanização que passaram a incidir nas condições de vida e trabalho.

  1. Nesse período, as preocupações e estratégias sanitárias tinham por base a teoria dos miasmas, para a qual as sujeiras externas e os odores detectáveis deveriam ser reduzidos ou eliminados para deter a disseminação das doenças.
  2. A higiene é introduzida como uma estratégia de saúde para as populações, envolvendo a vigilância e o controle dos espaços urbanos (ruas, habitações, locais de lixos, sujeiras e toxicidade) e grupos populacionais específicos.

O ambiente das cidades era identificado como “objeto medicalizável”, havendo a tendência de se patologizar determinadas regiões e lugares que, habitados pelos pobres, minorias étnicas e classes trabalhadoras, deveriam ser evitados pelos “cidadãos decentes” (PETERSEN e LUPTON, 1996).

  • Neste contexto, convém salientar o exposto por Mendonça (2004, p.189), quando menciona que : O espaço urbano se produz a partir de imensas contradições, que fazem com que, na cidade, convivam o melhor e o pior da sociedade.
  • Assim, além da riqueza, do acesso privilegiado a informação dos fluxos financeiros, dentre outros, observam-se também as mais fortes manifestações de violência, pobreza e exclusão, apontando para gravidade das questões de ordem sócio-econômica e ambiental que imperam neste espaço.

Em meados e final do século XIX intensificam-se os impactos da Revolução Industrial sobre as condições de vida e saúde das populações. Os temas relativos à saúde são incorporados na pauta das reivindicações dos movimentos sociais e surgem propostas de compreensão da crise sanitária como fundamentalmente um processo político e social (denominada medicina social).

Ao contrário do higienismo para o qual o ambiente era um objeto medicalizável através de um conjunto de normatizações e preceitos a serem seguidos e aplicados no âmbito individual, a participação política é concebida como principal estratégia de transformação da realidade de saúde (PAIM e ALMEIDA FILHO, 1998).

Como resposta estreitamente integrada à ação do Estado no âmbito da saúde estrutura-se o Movimento do Sanitarismo, cujo discurso e prática voltam-se para a solução dos problemas de saúde baseados na aplicação de tecnologia e em princípios de organização racional, além da expansão das atividades profiláticas, destinadas principalmente aos pobres e setores excluídos da população (PAIM e ALMEIDA FILHO, 1998).

  1. O saneamento básico e o controle de vetores constituíram a principal estratégia desse movimento na perspectiva da compreensão dos problemas sócio-ambientais (GOCHEFELD e GOLDSTEIN, 1999).
  2. A ampliação da abordagem da problemática sócio-ambiental urbana, abrindo-a para além dos aspectos de saneamento e controle de vetores e inserindo a recuperação da dimensão política e social dos referidos problemas pode, em grande parte, ser atribuída às questões que passaram a ser pautadas pelo movimento ambientalista (FREITAS, 2003).

Nesse sentido, observa-se que o espaço urbano está diretamente relacionado com a condição de saúde das populações, sendo relevante expor que, segundo Mendes: A saúde é considerada como um produto social, isto é, resultado das relações entre os processos biológicos, ecológicos, culturais e econômico-sociais que acontecem em determinada sociedade e que geram as condições de vida das populações (1996, p.245).

Essa concepção de saúde foi reforçada pela Carta de Ottawa, elaborada na I Conferência Internacional de Promoção da Saúde realizada no Canadá, em 1986, quando afirma que as condições e os requisitos para a saúde são: a paz, a educação, a moradia, a alimentação, a renda, um ecossistema estável, a justiça social e a eqüidade.

A saúde, nessa ampla concepção, mais do que ausência de doença é um estado adequado de bem-estar físico, mental e social que permite aos indivíduos identificar e realizar suas aspirações e satisfazer suas necessidades (ADRIANO et. al., 2000). A idéia de assistência e de cura é, então, incorporada ao aspecto da promoção da saúde que, por sua vez, caracteriza-se pelo: Processo, através do qual a população se capacita e busca os meios para conseguir controlar os fatores que favorecem seu bem-estar e o da comunidade ou que a podem estar pondo em risco, tornando-a vulnerável ao adoecimento e prejudicando sua qualidade de vida (WHO, 1986).

Para Gutierrez et al,: Promoção da saúde é o conjunto de atividades, processos e recursos, de ordem institucional, governamental ou da cidadania, orientados a propiciar a melhoria das condições de bem-estar e acesso a bens e serviços sociais, que favoreçam o desenvolvimento de conhecimentos, atitudes e comportamentos favoráveis ao cuidado da saúde e o desenvolvimento de estratégias que permitam à população maior controle sobre sua saúde e suas condições de vida, a níveis individuais e coletivos (1996, p.96 ).

Para Adriano et al. (2000, p.54), nas ações de promoção as pessoas são consideradas como sendo sujeitos do processo e potencialmente capazes de vir a controlar os fatores determinantes de sua saúde, principalmente nas cidades.4. GEOGRAFIA, SAÚDE E URBANIZAÇÃO A Carta de Ottawa propôs cinco campos centrais de ação para a promoção em saúde, quais sejam: 1) elaboração e implementação de políticas públicas saudáveis; 2) criação de ambientes favoráveis à saúde; 3) reforço da ação comunitária; 4) desenvolvimento de habilidades pessoais e, 5) reorientação do sistema de saúde.

Este conjunto de ações perpassa, direta e indiretamente, o contexto da urbanização e da cidade. A criação de ambientes favoráveis à saúde, por exemplo, implica o reconhecimento da complexidade das sociedades, e por conseguinte das cidades, bem como das relações de interdependência entre diversos setores.

A proteção do meio ambiente e a conservação dos recursos naturais, o acompanhamento sistemático do impacto que as mudanças no meio ambiente produzem sobre a saúde, bem como a conquista de ambientes que facilitem e favoreçam a saúde, como o trabalho, o lazer, o lar, a escola e a própria cidade, passam a compor centralmente a agenda da saúde da população (BUSS, 2000).

Neste sentido é necessário conceber que a cidade não é somente uma construção humana; ela é esta construção somada a todo um suporte que a precedeu — natureza — mais as atividades humanas. Da interação entre estas dimensões da realidade produzem-se ambientes aprazíveis e com ótimas condições para o desenvolvimento da vida do homem, porém, em grande parte, ambientes desagradáveis, degradados e altamente problemáticos são também produzidos.

Uma grande quantidade de seres humanos vive nesses últimos e é preciso buscar formas de melhorá-los (MENDONÇA, 2004). A lógica corporativa de produção do espaço urbano (SANTOS, 1993) incide sobre as áreas que já se constituíam nos principais pólos economicamente produtivos de seus respectivos estados (e/ou países), muitos ainda focos de imigração intensa e que foram alvo de ações pontuais, prescindindo o planejamento do todo.

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Essa prática resultou nas inúmeras inspeções da contradição e da dicotomia urbana: a “cidade planejada e a cidade não planejada”, a “cidade real e a cidade formal” e a “cidade legal e a cidade ilegal” ou as “áreas nobres e as áreas pobres”, cuja morfologia é peculiarizada por áreas centrais bem servidas e extensas periferias carentes, ocupações irregulares em áreas ambientalmente vulneráveis, favelas e cortiços.

Com a crise e a transposição desse modelo de desenvolvimento para o de abertura e flexibilização dos mercados, os extremos dessa dualidade não só se acentuam como se cristalizam espacialmente (MOURA, 2004). Segundo Buss (2000, p.173), a moderna idéia de políticas públicas saudáveis envolve um duplo compromisso: o compromisso político de situar a saúde no topo da agenda pública, promovendo-a de setor da administração a critério de governo, e o compromisso técnico de enfatizar, como foco de intervenção, os fatores determinantes do processo saúde-doença.

A perspectiva das políticas públicas saudáveis distingue-se e ultrapassa em abrangência as ações ambientais da saúde pública tradicional e, mesmo, as políticas urbanas de expansão de serviços e bens de consumo coletivo. Implica uma abordagem mais complexa, devendo ser compreendida como uma (re)formulação inovadora tanto do conceito de saúde quanto do conceito de Estado (e, portanto, de política pública) e de seu papel perante a sociedade.

A nova concepção de saúde importa uma visão afirmativa que a identifica com bem-estar e qualidade de vida, e não simplesmente com ausência de doença. A saúde deixa de ser um estado estático, biologicamente definido, para ser compreendida como um estado dinâmico, socialmente produzido (BUSS, 2000).

Desse modo, e tendo na interdisciplinaridade o seu fundamento cognitivo e na intersetorialidade a sua ferramenta operacional, as políticas saudáveis, para não se limitarem a uma normatividade burocrática socialmente natimorta, devem suscitar ou partir de pactos horizontais com parceiros de outros setores governamentais e de outras comunidades epistêmicas, como os urbanistas, os educadores, etc.

(BUSS, 2000). Neste contexto, os geógrafos com base na geografia da saúde, geografia urbana, geografia sócio-ambiental e demais campos de conhecimento da ciência geográfica, trazem importante contribuição para a sistematização dos preceitos de saúde pública com ênfase no espaço urbano, tendo em vista que os próprios planejamentos urbanos perfazem objetos de estudo e variáveis de análise desta ciência.

Assim, Barcellos e Machado exemplificam esta contribuição ao afirmarem que: A geografia pode contribuir para um aprofundamento dos estudos que relacionam ambiente e saúde através do uso de mapeamentos e da análise espacial, pode definir condições de representatividade de pontos de amostragem, na elaboração de critérios para o estabelecimento de regiões ou unidades espaciais de análise, modos e processos de difusão espacial de um evento de saúde, lugar e modos de vida dos indivíduos numa combinação de escalas espaciais (1998, p.104, apud PICHERAL e SALEM, 1992).

Do ponto de vista da intersetorialidade em saúde, busca-se superar a visão isolada e fragmentada na formulação e implementação de políticas e na organização do setor saúde. Significa adotar uma perspectiva global para a análise da questão saúde, e não somente do setor saúde, incorporando o maior número possível de conhecimentos sobre outras áreas de políticas públicas, como, por exemplo, educação, trabalho e renda, meio ambiente, habitação, transporte, energia, agricultura etc., assim como sobre o contexto social, econômico, político, geográfico e cultural onde atua a política (BUSS, 2000).

Com base no exposto, observou-se que após a década de 80, houve a ampliação dos debates e abordagens sobre a idéia de cidades saudáveis e de cidades sustentáveis, terminologias que culminam em objetivos comuns e no restabelecimento de condições de vida para os seres humanos nos contextos urbanos. A condição biológica do homem impõe-lhe a necessidade da convivência com os elementos da natureza em seu estado não degradado, pois a vida humana se realiza, particularmente, com muitíssima dificuldade em condições de ar, água e solo deteriorados e na ausência do relevo e da vegetação.

A condição de saudável e de sustentável de uma cidade passa, então, pela busca e manutenção dessas condições, sendo que a urbanização do presente, principalmente nos países não desenvolvidos, evidencia a ausência ou a precariedade daquelas para a maioria da população (MENDONÇA, 2004).

  1. Considerando os problemas urbanos contemporâneos e as possibilidades citadinas para a realização de projetos sociais a Organização Mundial de Saúde (OMS), e suas agências regionais como a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), iniciaram o Movimento Cidades Saudáveis, com o intuito de motivar governos e sociedade civil a desenvolver estratégias, em diversos setores das políticas sociais, com a implementação de projetos interinstitucionais e intersetoriais, visando realizar ações de melhoria das condições de vida e saúde da população urbana e, portanto, de sua qualidade de vida (WESTPHAL, 2000).
  2. A saúde de um indivíduo, de um grupo de indivíduos ou de uma comunidade depende também de coisas que o homem criou e faz, das interações dos grupos sociais, das políticas adotadas pelo governo, inclusive dos próprios mecanismos de atenção à doença, do ensino da medicina, da enfermagem, da educação, das intervenções sobre o meio ambiente (SANTOS e WESTPHAL, 1999).
  3. De acordo com Hancock e Duhl (WHO/EURO/HCPO, 1988), cidade saudável não é somente uma cidade com alto nível de saúde, medido pelos indicadores de mortalidade e morbidade, mas é uma cidade comprometida com os objetivos de saúde de seus cidadãos e envolvida em um trabalho contínuo para atingi-los.

Para Guimarães, (1999, p.11) Cidades Saudáveis é o nome que se dá a um projeto de desenvolvimento social, que tem a saúde e suas múltiplas determinações como centro de atenções. É também um movimento de luta por um estilo de desenvolvimento sustentável, na sua acepção mais honesta e coerente possível com a justiça social, que satisfaça as necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacidade das futuras de satisfazer suas próprias necessidades.5.

A DENGUE E A URBANIZAÇÃO NO BRASIL Na década de 80, quase todas as cidades litorâneas do Brasil apresentaram registros do mosquito Aedes aegypti que, nos anos seguintes, expandiram-se também para o interior do país. Associado às debilidades dos serviços de saúde supra apresentadas, constatou-se as fragilidades das ações individuais para com a proteção da saúde coletiva, pois, com o aumento da produção de resíduos e diversos recipientes e entulhos derivados do petróleo que, lançados a céu aberto (em ruas, quintais e terrenos baldios) acumulam água das chuvas e favorecem a proliferação dos mosquitos.

Segundo Ujavari (2003, p.280) em 1981, provavelmente transportado em embarcações provenientes da Ásia, o vírus da dengue chega a Cuba; em 1982 foi registrada a primeira epidemia de dengue no Brasil onde, em Roraima, levou ao registro de aproximadamente 11 mil casos.

Anualmente o vírus é transmitido pelos vetores provocando epidemias principalmente de no verão, sazonalidade altamente propícia à proliferação do Aedes em decorrência das excelentes condições climáticas para a vida e reprodução do mosquito. O número de casos elevou-se consideravelmente na década de 1990, sendo que em 1995 foram registrados mais de 100 mil casos e, a partir de 1997 já eram computadas mais de 200 mil ocorrências de dengue por ano.

Em 2002, um novo recorde consolidou-se, havendo mais de 700 mil casos notificados. Desse modo, no início do século XXI a história desta doença no país se torna mais complexa, momento no qual são registradas importantes epidemias causadas pelo Aedes aegypti, ao contrário do que ocorria no começo do século XX quando o alerta da saúde pública estava embasado na preocupação com as epidemias anuais de febre amarela vinculadas ao mesmo vetor; atualmente a mídia enfoca epidemias de dengue causadas pela mesma espécie do mosquito, levando a crer que o controle da febre-amarela será, desta feita, decorrente do controle da dengue.

No entanto, convém lembrar que o combate ao mosquito no começo do século XX foi mais fácil, uma vez que na época havia maior produção de lixo orgânico nas cidades, e estas eram habitadas por apenas 20% da população brasileira. Atualmente, o cenário urbano é outro, pois além do número de habitantes ser maior do que no tempo de Osvaldo Cruz, cerca de 80% das pessoas residem nas cidades nas quais predomina a produção do lixo não-orgânico, o que cria condições e ambientes favoráveis à proliferação do mosquito (UJAVARI, 2003); soma-se a isto todas as diferenças sócio-econômicas, políticas, culturais, ambientais e geográficas vinculadas ao meio urbano, bem como a complexidade da vida urbana, supra mencionadas.

Diante destas questões, emerge o questionamento de como planejar ações intervencionistas, que busquem minimizar os impactos dessa epidemia na saúde pública bem como controlar sua incidência na população brasileira, sobretudo diante do fato de que trata-se de uma doença destituída de controle clínico.

  • A situação atual e preocupante da dengue no Brasil reflete um complexo contexto no qual se interagem ineficácias gerais de atuação do poder público e da sociedade em geral.
  • Assim, deve-se buscar soluções para essa epidemia e também manter planos de combates eficientes contra a febre amarela, cuja transmissão igualmente ocorre pelo Aedes aegyti, sendo que sua migração em massa para o ambiente urbano não deve ser descartada, principalmente porque já houve constatações de casos esporádicos de febre amarela em centros urbanos brasileiros.

Neste contexto, Teixeira, Barreto e Guerra mencionam que: O ambiente dos centros urbanos favorece sobremaneira a dispersão e a elevação da densidade das populações do Aedes aegypti, e há falhas nas estratégias de combate, assim, a circulação dos vírus da dengue se estabeleceu e se expandiu, passando a constituir um grave problema de saúde pública (1999, p.13).

  • Além disso, a dengue é atualmente, um dos principais problemas de saúde pública no mundo, considerado em expansão pela OMS, que estima cerca de 80 milhões o número de pessoas infectadas anualmente, em mais de cem países.
  • Dessas, cerca de 550 mil necessitam de hospitalização e pelo menos 20 mil chegam a morrer (OMS, 2000).

Segundo Silva Júnior et al, (2002, p.108) há registros de epidemias de dengue desde o século XIX em nosso país, contudo o Aedes aegypti foi erradicado várias vezes, ressurgindo nos anos subseqüentes em função de sua persistência nos países vizinhos. A última vez que se declarou a sua erradicação foi em 1973, ressurgindo três anos depois e iniciando, a partir de então, uma progressiva dispersão no território nacional.

  1. Em 1981 foi observado em Roraima, um surto da doença, pelos sorotipos DEN-1 e DEN-4.
  2. Apenas cinco anos depois (em 1986) ocorreu novo surto, com o sorotipo DEN-1, no Estado do Rio de Janeiro e algumas capitais da Região Nordeste; desde então a dengue passou a manifestar-se de forma endêmica, em todo o país, intercalando-se com a manifestação de epidemias associadas à introdução de novos sorotipos em áreas consideradas indenes (SILVA JUNIOR et al,, 2002).

Após essas primeiras epidemias de dengue clássico, observou-se um período de baixa endemicidade, ocorrendo um recrudescimento de grandes proporções, em 1990, em conseqüência do aumento da circulação do DEN-1 e da introdução do DEN-2 no Rio de Janeiro.

  • É neste período que surgem os primeiros registros de dengue hemorrágico (TEIXEIRA, BARRETO e GUERRA, 1999).
  • Nos dois primeiros anos da década de noventa a incidência da doença manteve-se quase que inteiramente restrita aos estados da região sudeste e nordeste, acrescentando-se poucas notificações oriundas de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, além de surtos localizados em pequenas cidades de São Paulo, Bahia e Minas Gerais.

Os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul só notificaram casos importados e apenas no Acre e Amapá não havia registro de dengue. Nos anos subseqüentes, a circulação viral (DEN-1 e DEN-2) se expande rapidamente para outras áreas do território brasileiro e todos os estados passam a ter municípios infestados (TEIXEIRA, BARRETO E GUERRA, 1999).

Segundo Silva Junior et al, (2002) houve aumento significativo da incidência, durante a década de 90, reflexo da disseminação do Aedes aegypti no Brasil, principalmente a partir de 1994. Salienta-se que o número de notificações acumuladas no período de 1981 a 1998 ultrapassa mais de um milhão e meio de indivíduos.

Somente na segunda metade da década de 90 é que as regiões Centro-Oeste e Norte do país registraram epidemias de dengue. A partir de 1999 a sazonalidade das infecções pelos vírus de dengue torna-se muito evidente na maioria dos estados. Este padrão sazonal, que nem sempre é observado em outros países, tem sido explicado pelo aumento na densidade das populações do Aedes aegypti, em virtude das condições de temperatura e umidade da estação, observadas em grandes extensões do território nacional (TEIXEIRA, BARRETO E GUERRA, 1999).

  • A partir do ano 2000 foi identificada a circulação do sorotipo DEN-3, primeiramente no Rio de Janeiro, depois Roraima, alastrando para vários municípios brasileiros em função das condições propícias para a eclosão de epidemias.
  • Em 2002 a situação chegou a ser alarmante, sobretudo nas regiões Sudeste, Nordeste, e Centro-Oeste.

Neste período, na região Sul, o estado do Paraná foi o que apresentou mais notificações de casos suspeitos de dengue (SILVA JUNIOR et al,, 2003; MENDONÇA et al, 2004). Embora tenham se intensificado os programas de combate a dengue na última década, verificou-se também a expansão do Aedes aegypti na maioria dos estados brasileiros, além da variabilidade dos sorotipos circulantes e das faixas etárias atingidas.

Segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde, com a entrada do DEN-3, no Brasil, a partir do ano de 2002, constatou-se o aumento da letalidade e das hospitalizações no triênio subseqüente. Em relação à Febre Hemorrágica de Dengue (FHD) constatou-se que entre os anos de 2000 e 2003, a faixa etária mais atingida era dos 30 anos ou mais, seguida pela faixa etária dos 15 aos 29 anos.

Nos anos de 2004 e 2005 embora tenha ocorrido uma diminuição dos casos autóctones confirmados pode-se notar uma pequena alteração em relação às faixas etárias atingidas; no entanto, nos anos de 2006 e 2007 ficou evidente a elevação da incidência de FHD na faixa etária de até 15 anos.

Em 2006, foram confirmados 628 casos de febre hemorrágica de dengue e a ocorrência de 67 óbitos. Ao comparar o período entre janeiro e dezembro de 2006 com o mesmo período de 2005, observou-se um aumento de 39% dos casos de dengue no País. Essa elevação pode ser constatada a partir dos dados registrados nas regiões Sudeste (303%), Centro-Oeste (60%) e Sul (9%).

Por outro lado, houve redução do número de casos nas Regiões Norte (-23%) e Nordeste (-17%). De Janeiro a de julho de 2007, foram registrados no país 438.949 casos de dengue, 926 casos de Febre Hemorrágica do Dengue, com 98 óbitos. Neste período os estados mais atingidos foram Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e São Paulo.

  1. A Região Sul registrou 45.127 casos, sendo que somente o Paraná registrou 43.691 casos, sendo 9 de FHD e 5 óbitos.
  2. Em Santa Catarina foram notificados 409 casos, todos importados e o Rio Grande do Sul, a partir de abril, registrou 1.016 casos com transmissão local (BRASIL, 2007).
  3. De acordo com o boletim sobre a situação da dengue no Brasil, divulgado pelo Ministério da Saúde, 559.954 casos foram registrados em 2007, 1.541 de dengue hemorrágica, sendo que 86% desses casos foram concentrados nos estados do Ceará, Rio de Janeiro, Maranhão, Pernambuco, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Piauí, Goiás, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Em relação aos óbitos, 64% ocorreram nesses mesmos estados (SANT’ANNA, 2008). Em São Paulo registrou-se o maior número de casos (82.912), enquanto o Rio de Janeiro liderou o ranking das mortes (29) por dengue em 2007. A região Centro-Oeste, no entanto, teve a maior taxa de incidência do país (827 casos por 100 mil habitantes), sendo classificada como de alta incidência de dengue.

Neste mesmo ano, foram notificados no Centro-Oeste 111.757 casos de dengue e confirmados 192 de hemorrágica, o que causou a morte de 35 pessoas. O estado do Paraná também chama a atenção das autoridades sanitárias, pois em dezembro de 2007 mostrou que os casos de dengue subiram 827% na região Sul, em relação a igual período de 2006.

Apenas o Paraná foi responsável por 95% desses casos, sendo que as cidades mais atingidas foram Maringá, com 8.356 notificações; Foz do Iguaçu, com 4.630 casos; e Londrina, com 3.777. Em 2007, todos os nove casos de dengue hemorrágica registrados no Sul do país ocorreram no Paraná.

Cinco casos foram fatais (SANT’ANNA, 2008). A Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS) divulgou no final de março de 2008, um total de 120.570 casos notificados de dengue no Brasil, sendo 647 casos confirmados de Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) e 48 óbitos por FHD. Na Região Sul, no primeiro trimestre de 2008, constatou-se 3.022 casos autóctones de dengue no Paraná, 184 no Rio Grande do Sul e 187 em Santa Catarina, nestes dois estados todos importados.

Assim evidencia-se que os aspectos epidêmicos do Aedes aegypti encontraram no Brasil e no mundo contemporâneo, condições sócio-ambientais favoráveis para sua rápida expansão. Diante desta situação evidencia-se a necessidade de se incorporar as lições das experiências nacionais e internacionais de controle da dengue, enfatizando a necessidade de mudança nos modelos pré-concebidos, particularmente no que diz respeito ao fortalecimento da vigilância epidemiológica na ampliação da capacidade de predição dos fatores de risco e de detecção precoce de surtos da doença; e no aperfeiçoamento da qualidade das ações de combate ao vetor.

Além do melhor conhecimento dos fatores ambientais (especialmente climáticos) faz-se mister, também, aprofundar a compreensão acerca das condições sociais e combater a pobreza e a miséria urbana.6. CONSIDEREÇÕES FINAIS Abordar a saúde coletiva sob o enfoque epidêmico requer a compreensão do processo evolutivo no âmbito social, cultural, político e econômico, que influenciam na expansão e/ou retração de uma epidemia, bem como da dimensão geográfica (climática, sócio-ambiental e urbana) na qual se desenvolve o processo saúde-doença da população.

A dengue, conforme abordada neste artigo, é uma epidemia letal, cujo combate deriva de um processo histórico onde a participação de todas as esferas da sociedade e instituições devem atuar de maneira complementar na tomada de decisão, pois a busca da melhoria da qualidade de vida depende de ações individuais e coletivas, associadas às políticas inerentes as distintas esferas do Estado.

Destaca-se ainda a importância da participação das instituições de ensino e pesquisa que contribuem com os conhecimentos científico-técnicos multi e interdisciplinar, levando-se em consideração todas as áreas do conhecimento envolvidas no processo. Neste contexto, a geografia apresenta contribuições na perspectiva em que evidencia a dimensão espacial do processo saúde-doença das populações.

O enfoque particular sobre as questões ambientais e sobre as cidades — socioambiente urbano — ganha relevância na medida em que se volta aos espaços de maior concentração da população e, por conseguinte, de maior incidência de doenças na atualidade, ou seja, os espaços urbanizados.

Portanto, compreender a dinâmica da dengue requer a interpretação do processo histórico, das políticas públicas, das ações efetivadas na busca de minimizar o seu impacto, do planejamento urbano adequado, bem como a interação com a ciência e tecnologia na busca de novas diretrizes, que remodelem e direcionem medidas de intervenção realmente eficazes para a saúde (pública e coletiva).

Salienta-se que a dengue, embora esteja entre as doenças emergentes, ainda encontra-se dentre as doenças negligenciadas pelas economias dominantes e seu aparato técnico-científico. Apesar de seu agravante impacto sobre a humanidade, ela parecer ter sido reiteradamente marginalizada, tanto pelo setor público quanto privado, pois seu recrudescimento não tem sido acompanhado por investimentos capazes de gerar seu controle.

O processo de urbanização e a cidade, na atualidade, são contingências fundamentais para a eclosão e intensificação de processos epidêmico-pandêmicos nas mais diferentes localidades do globo, explicitando uma nítida imbricação entre as escalas locais e globais na abordagem da saúde. A associação entre os aspectos ambientais e a urbanização corporativa que impera nos países não desenvolvidos demanda um novo enfoque sobre os problemas de saúde-doença da população urbana.

A cidade é, neste contexto, tanto ambiente natural alterado quanto ambiente social produzido por contingências culturais, políticas e econômicas gerais e particulares da modernidade tardia, sendo necessário tomá-la sob a perspectiva do socioambiente urbano.

Qual foi a pior pandemia de todos os tempos?

Tese apresenta trabalho inédito sobre a pandemia da gripe espanhola no ES A gripe espanhola é considerada uma das pandemias mais devastadoras e letais da história. A doença alastrou-se por todas as regiões do mundo e deixou o maior número de infectados e mortos, se comparada com outras pandemias.

  1. Alguns estudiosos estimam que aproximadamente 50 milhões de pessoas morreram e pelo menos 600 milhões de pessoas teriam adoecido pela doença, entre os anos de 1918 e 1919.
  2. No Brasil, a doença chegou em setembro de 1918 e se espalhou por todo o país, causando a morte de 35 mil brasileiros, segundo estimativas.

No Espírito Santo, a situação não foi diferente. O povo capixaba sofreu com a pandemia, uma vez que não havia medicamentos que a combatesse. Para entender melhor o contexto epidemiológico da doença e analisar como a epidemia foi conduzida por profissionais de saúde, autoridades e população no estado, a médica pneumologista Maria Cristina Paiva realizou um estudo investigativo sobre a gripe espanhola em solo capixaba de setembro de 1918 a março de 1919.

A investigação científica é o resultado da pesquisa de doutorado realizada no Programa de Pós-Graduação em História (PPGHIS) da Ufes. Com o título O flagelo da gripe espanhola no Espírito Santo: da negação à convicção de sua presença letal (1918-1919), a pesquisadora analisou a chegada da doença no estado e sua relação com os aspectos políticos e socioeconômicos, e realizou um registro sobre o serviço sanitário capixaba entre 1908 e 1918.

A pesquisa representa um trabalho inédito sobre a pandemia da gripe espanhola no Espírito Santo, significando um enorme desafio, devido à falta de documentos oficiais e arquivos de jornais sobre o tema. “No Espírito Santo, o assunto gripe espanhola ainda não tinha sido abordado no âmbito acadêmico.

  1. Recuperar a história da doença no estado representou um grande desafio, principalmente por falta de documentos oficiais e arquivos de jornais.
  2. Com isso, encontrei algumas dificuldades.
  3. A primeira foi pela pobreza de documentos oficiais encontrados”, afirma Paiva.
  4. Durante o trabalho, ela constatou que esse período da história do Espírito Santo foi negligenciado na conservação de documentos pelos governos e até por particulares, como foi o caso da Santa Casa de Misericórdia de Vitória e do jornal O Diário da Manhã.

“Na Santa Casa, toda a documentação da época queimou numa pilha de papéis na década de 1970. Em relação ao Diário da Manhã, único periódico de Vitória no tempo da pandemia, não encontramos exemplares do ano de 1918, nem sobre o que teria acontecido com eles.

  • Certamente, a pesquisa seria enormemente engrandecida com as edições diárias do jornal referente ao ano de 1918″, explica a médica.
  • Outro obstáculo foi encontrar pessoas que se lembrassem da gripe, em virtude do tempo decorrido entre a pandemia e a pesquisa.
  • Foi mais um desafio, mas tivemos a sorte de encontrar ainda viva e com memória intacta sobre a doença, da qual foi acometida em 1918, a senhora Leopoldina, de 105 anos, vivendo num asilo em Vitória.

Assim, algumas memórias sobre a gripe foram recuperadas. Isso ajudou um pouco”, completa a pesquisadora. Análise das epidemias Além de recuperar a história da pandemia no estado, Paiva analisou as epidemias e pandemias na história e as dimensões da gripe espanhola no mundo de 1918 a 1919.

“Para o desenvolvimento do trabalho, foi importante o estudo do comportamento clássico das epidemias e pandemias no curso da história, como aconteceram e qual a reação das populações, assim como das epidemias de gripe já estudadas, como surgem, desenvolvem-se e cessam”, explica. A professora enfatiza ainda que, apesar de alguns considerarem que o Brasil estava protegido pelo oceano Atlântico, o país sofreu com a chegada da epidemia, principalmente na capital, na época o Rio de Janeiro, e que os primeiros momentos da doença no Espírito Santo começaram por Vitória, onde desembarcou no final de setembro de 1918.

Logo em seguida, a gripe se espalhou pelos municípios do estado. Segundo fontes oficiais da época, as terras capixabas foram acometidas com o adoecimento de cerca de 70% da população, com uma mortalidade em 0,8%. Entretanto, Paiva afirma que quase todas as comunicações sobre a gripe nos municípios enfatizaram que aquela era uma doença benigna e que as mortes não seriam por causa da gripe, mas por serem corpos adoecidos por doenças anteriores, por alcoolismo ou por serem indigentes, ou seja, o negacionismo.

Outro aspecto abordado no estudo foi a dimensão da gripe espanhola no mundo e no Brasil, com médicos atônitos, sem saber ao certo o que estava acontecendo. “Apesar da confusão nos diagnósticos, visto nos atestados de óbito, onde um mesmo médico dava vários nomes à mesma mazela não sabendo ao certo de que doença se tratava, isso não foi impedimento para indicação de várias medidas de prevenção e de tratamento, ainda que algumas deles fossem ineficazes para a gripe, como a vacinação e purgativos”.

Conclusões A tese concluiu que a epidemia da gripe espanhola no Espírito Santo promoveu as desordens características de uma epidemia, com isolamentos; paralisação de serviços, comércios, escolas e clubes; escassez e carestia de alimentos; negação inicial da gravidade da moléstia e mortes; e mobilização de diversos setores da sociedade civil e religiosa, além do poder público, para o seu controle.

Entretanto, a pesquisadora afirma que a história da pandemia no Espírito Santo não está totalmente registrada, faltando ainda muitas páginas a serem escritas, principalmente para saber o que aconteceu verdadeiramente nos principais municípios e uma estatística mais próxima da realidade sobre a mortalidade pelo interior e até mesmo na capital.

A tese O flagelo da gripe espanhola no Espírito Santo: da negação à convicção de sua presença letal (1918-1919) teve a orientação do professor Sebastião Pimentel. A banca examinadora foi composta pelos professores Margareth Maria Dalcolmo, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio); André Luiz Nogueira, da Faculdade do Vale do Cricaré (FVC); Sônia Maria Barreto e Maria Cristina Dadalto, ambas da Ufes.

  • A gripe A gripe espanhola foi uma pandemia que aconteceu entre 1918 e 1919, atingindo todos os continentes.
  • Não se sabe a origem da doença nem o local onde ela teve início, mas se acredita que ela seja uma mutação do vírus Influenza que surgiu no interior dos Estados Unidos ou foi gerada pela queda dos padrões sanitários e pelos efeitos da escassez alimentar decorrentes da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

A gripe espanhola teve um grande impacto nos países que lutavam na Primeira Guerra Mundial. Por conta desse conflito, era necessário que as informações da doença fossem escondidas, de forma a não prejudicar o moral dos soldados, não criar pânico na população e nem passar imagem de fraqueza para o adversário.

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Texto: Jorge Medina Foto: Divulgação – Biblioteca virtual do Conselho Federal de Enfermagem Edição: Thereza Marinho

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E morbidade?

MORBIDADE é a variável característica das comunidades de seres vivos, refere-se ao conjunto dos indivíduos que adquirem doenças (ou determinadas doenças) num dado intervalo de tempo em uma determinada população. A morbidade mostra o comportamento das doenças e dos agravos à saúde na população.

Onde ocorre a febre amarela?

Febre amarela Info A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um vírus transmitido por mosquitos vetores, e possui dois ciclos de transmissão: silvestre (quando há transmissão em área rural ou de floresta) e urbano. O vírus é transmitido pela picada dos mosquitos transmissores infectados e não há transmissão direta de pessoa a pessoa.

A febre amarela tem importância epidemiológica por sua gravidade clínica e potencial de disseminação em áreas urbanas infestadas pelo mosquito Aedes aegypti. É uma doença de notificação compulsória imediata, ou seja, todo evento suspeito (tanto morte de primatas não humanos, quanto casos humanos com sintomatologia compatível) deve ser prontamente comunicado, em até 24 horas após a suspeita inicial, às autoridades locais competentes pela via mais rápida (telefone, fax, email, etc).

Às autoridades estaduais de saúde cabe notificar os eventos de febre amarela suspeitos ao Ministério da Saúde. Atualmente, a febre amarela silvestre (FA) é uma doença endêmica no Brasil (região amazônica). Na região extra-amazônica, períodos epidêmicos são registrados ocasionalmente, caracterizando a reemergência do vírus no País.

O padrão temporal de ocorrência é sazonal, com a maior parte dos casos incidindo entre dezembro e maio, e com surtos que ocorrem com periodicidade irregular, quando o vírus encontra condições favoráveis para a transmissão (elevadas temperatura e pluviosidade; alta densidade de vetores e hospedeiros primários; presença de indivíduos suscetíveis; baixas coberturas vacinais; eventualmente, novas linhagens do vírus), podendo se dispersar para além dos limites da área endêmica e atingir estados das regiões Centro.

Importante: Qualquer pessoa não vacinada, independentemente da idade ou sexo, que se exponha em áreas de risco e/ou com recomendação de vacina. É fundamental cobertura vacinal da população em todo o território nacional, esta é a principal forma de prevenir a febre amarela.

febre alta;icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos);hemorragia (especialmente a partir do trato gastrointestinal);eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos.

Importante: Cerca de 20% a 50% das pessoas que desenvolvem febre amarela grave podem morrer. Assim que surgirem os primeiros sinais e sintomas, é fundamental buscar ajuda médica imediata. Os eventos adversos são possíveis reações após a vacinação da febre amarela.

  • Os mais comuns relatados segundo estudos são: reações de hipersensibilidade, e as manifestações da própria doença com o desenvolvimento dos sinais e sintomas observados.
  • A ocorrência de morte em até 30 dias após a vacinação deve ser investigada para confirmação se foi ou não relacionada ao uso da vacina.

Todo evento adverso deve ser investigado e tratado da mesma forma que os casos suspeitos de Febre Amarela. Se qualquer pessoa vacinada desenvolver os sinais e sintomas comuns para doença em até 15 dias após a vacinação, deve rapidamente procurar o serviço de saúde mais próximo para atendimento.

Crianças menores de 9 meses de idade.Mulheres amamentando crianças menores de 6 meses de idade.Pessoas com alergia grave ao ovo.Pessoas que vivem com HIV e que tem contagem de células CD4 menor que 350.Pessoas em de tratamento com quimioterapia/ radioterapia.Pessoas portadoras de doenças autoimunes.Pessoas submetidas a tratamento com imunossupressores (que diminuem a defesa do corpo).

Segundo previsto na política nacional de alimentação e nutrição do SUS, os profissionais da atenção básica devem fazer avaliação clínica e orientação nutricional das crianças e adultos identificando alergias alimentares e/ou problemas relacionados à alimentação e nutrição.

Assim, os profissionais das Unidades Básicas de Saúde devem fazer a orientação sobre a dieta alimentar mais adequada em cada caso (incluindo a recomendação de não vacinação quando há componentes alergênicos) e caso haja necessidade, os usuários poderão ser encaminhados para um serviço especializado para realização de avaliação complementar e o melhor encaminhamento em cada caso.

Somente um médico é capaz de diagnosticar e tratar corretamente a febre amarela. No caso de qualquer um dos sintomas da doença, procure imediatamente uma unidade de saúde para avaliação médica adequada. O profissional fará os exames necessários para diagnosticar a doença, assim como sua gravidade, para escolher a melhor forma de tratamento.

O tratamento da febre amarela é apenas sintomático, com cuidadosa assistência ao paciente que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso, com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado. Nas formas graves, o paciente deve ser atendido em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para reduzir as complicações e o risco de óbito.

Medicamentos salicilatos devem ser evitados (AAS e Aspirina), já que o uso pode favorecer o aparecimento de manifestações hemorrágicas. O médico deve estar alerta para quaisquer indicações de um agravamento do quadro clínico. A vigilância da Febre Amarela no Brasil atua visando reduzir a incidência da Febre Amarela Silvestre, impedir a transmissão urbana e também detectar oportunamente a circulação viral para orientar as medidas de controle.

  1. O Programa de Vigilância da Febre Amarela atua de forma articulada com diferentes áreas, como vigilância de casos humanos, vigilância entomológica (vetores urbanos e silvestres), vigilância ambiental e ações de informação, de educação e de comunicação.
  2. As vigilâncias entomológica e de epizootias em PNH constituem eixos de atuação ecoepidemiológica do Programa no Brasil.

A Febre Amarela é uma doença de notificação compulsória imediata, ou seja, todo evento suspeito (tanto morte de primatas não humanos, quanto casos humanos com sintomatologia compatível) deve ser prontamente comunicado (até 24 horas após a suspeita inicial) às autoridades locais competentes pela via mais rápida (telefone, fax, email, etc).

Como a endemia é transmitida?

A importância do combate às endemias e a manutenção do quintal limpo – Prefeitura de Ibitinga As endemias são doenças que afetam uma determinada região ou comunidade com frequência, e podem ser transmitidas por vetores como mosquitos, ratos e outros animais. Dentre as endemias mais comuns no Brasil, destaca-se a dengue, uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que pode levar a complicações graves e até mesmo à morte.

“Além das medidas adotadas pela Vigilância Epidemiológica, é fundamental que cada cidadão faça a sua parte no combate à dengue e outras endemias, mantendo o quintal limpo e livre de recipientes que possam acumular água, como pneus, garrafas, latas e vasos de plantas”, explica Amanda Lambert, coordenadora de Vigilância Epidemiológica A manutenção do quintal limpo e livre de entulhos e objetos que possam acumular água é uma medida simples, mas eficaz no combate às endemias, principalmente à dengue. Além disso, é importante que a população esteja atenta aos sinais e sintomas da doença, como febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares e manchas vermelhas na pele, e procure atendimento médico imediatamente em caso de suspeita. Portanto, é fundamental que todos os cidadãos estejam engajados no combate às endemias, especialmente à dengue, adotando medidas preventivas como a manutenção do quintal limpo e livre de objetos que possam acumular água. Divulgação: Prefeitura de Ibitinga

: A importância do combate às endemias e a manutenção do quintal limpo – Prefeitura de Ibitinga

Quais são as fontes de infecção?

FONTE DE INFECÇÃO: pessoa, animal, objeto ou substância a partir do qual o agente é transmitido para o hospedeiro. FONTE PRIMÁRIA DE INFECÇÃO (reservatório): homem ou animal e, raramente, o solo ou vegetais, responsável pela sobrevivência de determinada espécie de agente etiológico na natureza.

O que significa exuberância original?

1. Abundância excessiva.2. Intensidade, vigor.

O que significa a palavra epidêmica?

Significado de epidêmico Relativo a epidemia, doença infecciosa e contagiosa que se espalha rapidamente, atacando um grande número de pessoas.

O que é um foco endémico?

O que são as doenças endêmicas – Doenças endêmica s ou endemias são termos utilizados para definir qualquer doença localizada ou com uma grande incidência em um espaço limitado denominado de “faixa endêmica”, seja esse um estado ou um país. No Brasil costumam ocorrer em áreas rurais ou urbanas com problemas de saneamento básico.

O que é o controle de endemias?

O Controle de Endemias é uma das ações que integram o Programa ‘Prevenção e Controle das Doenças Transmitidas por Vetores’, sob o código 36901.10.301.0002.4559, com o nome ‘Incentivo Financeiro a Municípios Ha- bilitados à Parte Variável do PAB, para Ações de Prevenção e Controle das Doenças Transmissíveis’.

O que é um agente de endemias?

O agente de controle de endemias faz parte da mobilização no combate à dengue Info Notícias PREVENÇÃO Visitas às residências têm como objetivo inspecionar e melhorar as condições de saúde da comunidade O controle da dengue exige um esforço de todos os profissionais de saúde, gestores e população.

Os agentes de controle de endemias (ACE) trabalham como mediadores na área da saúde básica e muitas vezes são o principal acesso aos programas de saúde, qualidade de vida e prevenção de doenças para pessoas que vivem em comunidades carentes ou mais afastadas, por meio de visitas às residências das famílias ou em ações coletivas.

A mobilização da população para eliminar os criadouros do mosquito é fundamental, pois ele é o vetor de transmissão e prevenir a doença depende da interrupção do ciclo de vida do mosquito transmissor, impedindo a disseminação da doença. Essa mobilização é parte importante da atividade dos agentes.

Para se reproduzir, o mosquito Aedes aegypti utiliza todo o tipo de recipiente capaz de acumular água: garrafas e embalagens descartáveis, latas, vasos de plantas, pneus, plásticos, entre outros. Itens de uso corriqueiro encontrados nos quintais das casas ou incorretamente depositados a céu aberto, em terrenos baldios e em lixões.

As visitas às residências têm como objetivo inspecionar e melhorar as condições de saúde da comunidade por meio de cadastro em programas de saúde e orientações de como evitar os criadouros Aedes aegypti. Em muitos casos, agentes de controle de endemias desempenham o papel importante de orientar as famílias em relação à prática de higiene, limpeza do terreno ou da área.

O que pode causar uma epidemia?

Revista Darcy – Causas de uma epidemia Manifestações coletivas de doenças marcaram a história da humanidade. Porém, apesar de inúmeras semelhanças, o surto do novo coronavírus é inédito em vários aspectos. O momento é sem paralelo na história, mas, se não fosse o aprendizado do passado, os rumos poderiam ter sido ainda mais trágicos Texto Robson Rodrigues Que novos vírus surgiriam, isso estava claro para a comunidade científica.

  • A pergunta era quando.
  • Porém, poucos previram a chegada do novo coronavírus especificamente e suas exatas consequências.
  • Mesmo com uma linha do tempo marcada e transformada por epidemias, o mundo vive diversos aspectos inéditos com a covid-19.
  • Porém, em alguns pontos, a história se repete: pânico, desinformação, culpabilizações infundadas, receitas milagrosas para a cura.

Mas, afinal, o que causa uma pandemia? Os fatores são múltiplos e incluem aglomerações populacionais, contato com animais silvestres, deficiências na estrutura sanitária, entre outros. E por trás de todos eles, está um agente em comum: a ação humana. Quanto mais urbanizados os humanos se tornaram, dominando a natureza, construindo cidades e rotas de comércio que conectam lugares distantes, mais suscetíveis ficaram às epidemias.

  • E quando aparece uma forte ameaça causada por microrganismo, a sociedade tem que se reorganizar e criar medidas para reduzir danos.
  • A vantagem, hoje, é que temos recursos tecnológicos que permitem entender um pouco melhor o agente infeccioso, como ele se comporta e por onde viaja, apesar dos vários mistérios que envolvem ainda o novo coronavírus.

Por outro lado, as redes sociais ampliam a disseminação de notícias falsas, o que atrapalha o controle sanitário. O mundo já viveu epidemias tão mortais como a covid-19, a exemplo da praga de Justiano, a peste negra, a gripe espanhola, o HIV/Aids, entre outras.

Cada uma matou dezenas de milhões de pessoas. Também não é a primeira vez que os coronavírus causam preocupação. A infecção atual de Sars-Cov-2 é parente da Sars-Cov-1 (do inglês, Severe Acute Respiratory Syndrome), responsável pela contaminação de cerca de 8 mil pessoas em 29 países entre 2002 e 2004.

Em 2012, outro coronavírus, o Mers-Cov (do inglês, MIddle East Respiratory Syndrome), atingiu 2.220 pessoas no Sudoeste Asiático. Em resposta às ameaças microscópicas, a comunidade internacional se organizou no início do século 21 para estabelecer medidas unificadas de enfrentamento às epidemias, o que garantiu uma redução de danos significativa na pandemia de 2020.

Semelhanças e diferenças Até o fim do século 19, pouca coisa tinha se aprendido com as epidemias. Somente quando se descobriu que microrganismos, como as bactérias, podem provocar doenças, foi possível pensar em medidas comprovadamente eficazes para prevenir infecções. Passou-se a tratar a água para consumo, direcionar esgoto, aumentar cuidados de higiene pessoal, isolar pessoas que tinham doenças específicas.

A mortalidade caiu drasticamente com essas ações. Então, com a descoberta dos primeiros antibióticos e o desenvolvimento das vacinas, a humanidade entrou em outra etapa da história. O infectologista Stefan Cunha Ujvari, autor do livro História das epidemias (ed.

  • Contexto LV, 2020) e médico do Hospital Oswaldo Cruz, conta que a demora em reconhecer as doenças se repetiu ao longo do tempo.
  • As epidemias geram pânico, diminuem o comércio, atrapalham a economia.
  • Então os governantes, historicamente, sempre negaram o problema inicialmente”, explica.
  • Para o pesquisador, isso atrapalha colocar em prática medidas de combate às doenças.

Ele usa como exemplo a epidemia de meningite no Brasil, durante os anos 1970, quando os militares, então no poder, tentaram esconder informações da população, proibindo médicos e a imprensa de falarem sobre o assunto. Segundo Stefan Cunha Ujvari, as maiores epidemias guardam muita coisa em comum.

As semelhanças são impressionantes. As pessoas sempre entram pânico. Ficam desesperadas sem entender o que está acontecendo, e também ansiosas por uma resposta, um tratamento rápido. Elas passam a cobrar mais dos órgãos do governo por medidas eficazes porque estão em pânico. Surge então uma variedade de medicamentos que seriam a salvação.

Começa-se a acreditar em diversas fórmulas, chás, alimentos. Também aparecem as fakes news, ou os boatos, que sempre estiveram presentes nas epidemias ao longo da história”, resume o especialista. Era comum que surgissem remédios supostamente milagrosos que ganhavam adesão popular apesar da eficácia contestada em laboratório.

Algo similar ao que ocorre hoje, com a indicação de uso de uma série de medicamentos para o tratamento da covid-19 que ainda carecem de comprovação científica. A origem animal do coronavírus seria outro ponto em comum da covid-19 com a maioria das doenças infectocontagiosas humanas. “Assim como o HIV, que veio de um animal silvestre, o chimpanzé”, compara Ujvari.

Apesar das inúmeras semelhanças que a epidemia do novo coronavírus tem com outras do passado, o momento é sem paralelo na história. É a primeira vez que praticamente o mundo todo fecha fronteiras, aplica distanciamento social e lockdow (bloqueio total), uma medida de segurança radical em que o cidadão fica proibido pelo governo de sair de casa e circular por áreas públicas sem motivo emergencial.

  1. A internet, bem mais difundida do que dez anos atrás, também entrou em cena.
  2. Segundo o pesquisador Georgios Pappas Júnior, professor do Departamento de Biologia Molecular da Universidade de Brasília (UnB), vivemos um cenário sem precedentes.
  3. A primeira pandemia da era da conectividade social pela internet teve como consequência uma outra pandemia, não biológica, caracterizada por narrativas não científicas que espalham, em profusão, notícias falsas sobre origem, prevenção, contenção e tratamentos”, explica o docente.

“Neste contexto, cientistas são encarados em um gradiente que vai desde vilões até salvadores”, completa Georgios Pappas, que também ressalta que uma das particularidades da covid-19 é a ampla manifestação de quadros clínicos, que variam de assintomáticos até graves síndromes respiratórias.

Experiências passadas Segundo o pesquisador Georgios Pappas Júnior, o surgimento de aglomerados populacionais propiciou o aparecimento das primeiras epidemias. “O estabelecimento da agricultura desencadeia a organização da sociedade humana em cidades. Essa aglomeração fornece aos agentes patogênicos condições para uma rede de disseminação ampla, seja na forma de contato pessoal, seja pelo ar, como ocorre com a covid-19 e a gripe, por exemplo”, explica o docente.

Outro agravante é o contato com animais silvestres em diferentes partes do mundo, principalmente pela domesticação. Sabe-se que o vírus do sarampo acometia o gado (que gerava a peste do gado), cuja domesticação propiciou aos humanos contato com o vírus de origem zoonótica.

  • De forma semelhante, evidências mostram que a varíola teria sofrido mutação a partir da criação de camelos.
  • Durante o Império Romano, que começou em 27 a.C.
  • E terminou em 476 d.C., a cidade de Roma concentrava um milhão de pessoas e fazia conexão com diversas partes do mundo.
  • A capital possuía sistemas sofisticados de esgoto e aqueduto, casas de banho e banheiros públicos.

Essa estrutura sanitária e os hábitos de higiene deixaram a cidade livre de infecções por comida e água. Mas foi lá também que surgiram as primeiras grandes epidemias. Ao todo, 11 pestes assolaram a região. Entre elas, varíola e sarampo. Isso pode ser explicado pela troca de agentes infecciosos com outras partes do mundo e por a cidade abrigar grande população pobre, que muitas vezes morava em casas pequenas com várias pessoas.

  1. No século 14, a população europeia tinha se expandido e concentrava cerca de 75 milhões de habitantes.
  2. O comércio, alavancado pelas cruzadas, fervilhava.
  3. O ambiente foi propício para a peste negra, considerada a pandemia mais letal da história.
  4. A doença, provocada pela bactéria Yersinia pestis, provavelmente disseminou-se na Europa a partir de uma das colônias da antiga República de Gênova, região atualmente localizada no norte da Itália.

Era transmitida principalmente por pulgas, que tinham como principal hospedeiro os ratos, levados no porão das embarcações. As pulgas saltavam dos roedores quando o hospedeiro morria e infectavam as pessoas. A doença foi batizada de peste negra, pois deixava as extremidades enegrecidas pela falta de pressão no corpo, em decorrência da generalização da infecção pelos vasos sanguíneos.

Caso a bactéria chegasse ao pulmão, podia ser expelida também pela tosse, aumentando as fontes de contaminação. A peste varreu todo o continente em dois anos. Estima-se que um terço da população europeia tenha morrido por complicações da doença. A tragédia também atrapalhava a economia ao reduzir o comércio em função das mortes.

“Na Idade Média, o saneamento básico criado no Império Romano foi perdido. A população usava água do rio com dejetos humanos. Por isso, epidemias de diarreias eram muito frequentes”, explica o infectologista Stefan Cunha Ujvari. “Eram outros tempos, e era muito mais difícil combater as infecções porque se desconhecia a origem delas.

Na peste negra, os ratos circulavam nas casas e nem se imaginava que eram a fonte da contaminação”, contextualiza. Segundo ele, os judeus foram culpados por provocar a epidemia, perseguidos e mortos. Noutra tentativa de se livrar do agente infeccioso por meio da superstição, as pessoas doentes se autoflagelavam para se purificar dos pecados.

Apesar do impacto devastador da peste negra, segundo Stefan Ujvari, em números absolutos, o extermínio de indígenas dos continentes americanos por conta de epidemias foi superior. Os europeus trouxeram o sarampo, a varíola e a gripe para uma população que nunca tinha tido contato com esses agentes.

Segundo ele, mais da metade dos índios americanos morreram ao longo dos séculos por essas doenças. O número de epidemias saltou no século 19. A Revolução Industrial favoreceu a disseminação de doenças, por conta do crescimento das cidades. A classe operária era má alimentada e várias famílias precisavam dividir espaços pequenos em cortiços.

Essas condições favoreciam a transmissão de doenças de pessoa para pessoa. Foi o século da tuberculose, difteria, coqueluche, escarlatina, além das epidemias que persistiam ali, como a de sarampo e de varíola. “Em várias cidades industriais, metade das crianças não chegava aos cinco anos de idade.

  • Nas cidades, também havia muitas nuvens de fuligem, que impediam a entrada de luz do sol.
  • Com isso, epidemia de raquitismo era tão comum quanto a epidemia de obesidade atualmente, observa Stefan Cunha Ujvari.
  • Num dos cortiços que visitou, o médico inglês John Snow (1813-1858) observou que o sistema de esgoto tinha rachaduras que possibilitavam que a água consumida fosse contaminada com dejetos humanos.

Foi a primeira evidência que teve para explicar a epidemia de cólera iniciada em meados dos anos 1850, que provocava diarreias persistentes e descoramento da pele, matando mais de 20 mil britânicos em uma década. Sua convicção de que a água contaminada carregava os microorganismos (bactérias) agentes da doença sofreram rejeição numa época em que ainda se acreditava na existências de miasmas (nome dado a ares de odor pútrido que se supunha provocar doenças).

Ele insistiu em defender sua tese e, após diversas demonstrações, provou que a cólera está ligada diretamente ao saneamento básico e aos hábitos de higiene. No século seguinte, a gripe espanhola matou entre 20 e 50 milhões de pessoas em todo o mundo. Apesar do nome, a ideia mais aceita é a de que a enfermidade tenha surgido nos Estados Unidos, em campos de soldados que se preparavam para lutar na 1ª Guerra Mundial.

Foi levada para a Europa, depois se espalhou pelo mundo, matando bem mais do que a disputa bélica. É causada por um vírus influenza, subtipo H1N1, e transmitida por meio de secreções respiratórias. Em função dela, grandes eventos foram cancelados, na época, para evitar aglomerações, estádios viraram posto de atendimento para dar conta da demanda.

Surgiu o movimento batizado de Liga Anti-Máscara. A médica veterinária e professora de Agronomia e Medicina Veterinária da UnB Lígia Maria Cantarino da Costa compara a gripe espanhola com a atual pandemia: “É interessante ver nos jornais da época como a população se comportava e as medidas de contenção adotadas.

Havia uma forte negação da gravidade da doença, as pessoas se recusavam a ficar em casa. Comparando, as ações são muito parecidas com as de hoje”. Stefan Cunha Ujvari conta que os falsos tratamentos eram muito procurados. “Quando a mortalidade da doença ficou evidente para a população, começaram o pânico e as receitas milagrosas.

Acreditava-se que a cachaça poderia curar porque esterilizava a garganta. Faziam também gargarejo com substâncias de eucalipto, alho ou limão. Esgotaram esses ingredientes nos mercados”, afirma o infectologista, lembrando que a famosa caipirinha surgiu como um remédio alternativo da época para a doença.

Segundo ele, o quinino foi outro remédio considerado milagroso usado durante a gripe espanhola. O curioso é que a substância usada para tratar malária é parente da cloroquina, pois ambos possuem similaridades em suas estruturas químicas. Redução de danos Nos últimos 20 anos, cinco grandes crises sanitárias se espalharam por diferentes partes do globo: Sars (2002), gripe aviária (2003), gripe suína (2009) e ebola (que teve os principais surtos no anos 1970 e reapareceu em 2000), todas mais brandas do que as vistas nos séculos anteriores.

E a comunidade internacional estava relativamente organizada para uma crise futura. No início deste século, começaram os esforços no mundo para se preparar para a potencial ameaça da influenza aviária (IA) de alta patogenicidade, muito mais mortal do que o novo coronavírus. “Por sorte, ela não ocorreu, tendo se manifestado apenas em poucas regiões”, avalia a pesquisadora Lígia da Costa.

“A suspeita sobre essa influenza contribui para que o Brasil se organizasse diante de um Regulamento Sanitário Internacional (RSI)”, explica. O RSI, ao qual a especialista se refere, é um acordo revisado e restabelecido em 2005 pelos 196 países em todo o mundo.

O trabalho unificado lança estratégias de prevenção, divulgação e controle da cólera, peste, febre amarela e, mais recentemente, da IA de Alta Patogenicidade. “Quando começaram a surgir os primeiros casos da influenza de 2009, já se tinha grupos de trabalhos para esse tipo de enfrentamento”, recorda a docente da UnB.

Com isso, o arcabouço sanitário, as legislações e as estratégias de ação para a covid-19 foram desenvolvidas mais agilmente. Ela acrescenta que “o Brasil tem uma potência a seu favor que é o Sistema Único de Saúde (SUS), que permite criar ações de forma padronizada.

  • É uma estrutura sanitária importantíssima”, avalia.
  • Problemas recorrentes O desenvolvimento de vacinas fez com que doenças fossem extintas.
  • A varíola foi a primeira, 40 anos atrás.
  • Em 2016, foi anunciado que as Américas erradicaram o sarampo graças às campanhas de vacinação.
  • No entanto, a doença provocada por vírus voltou a ameaçar dois anos depois e chegou a contaminar mais de 10 mil pessoas no Brasil entre 2018 e 2019.

Outro surto foi identificado este ano, concomitante à pandemia do novo coronavírus. A reincidência da infecção pode ser explicada em parte pela propagação de notícias falsas a respeito das vacinas. Em consequência, nenhuma meta de vacinação do Ministério da Saúde para o primeiro ano de vida dos bebês foi atingida no ano passado.

  • O coronavírus está recebendo mais atenção e cuidados, mas outras epidemias estão acontecendo.
  • A dengue continua grave e severa”, relata Lígia da Costa.
  • Mosquitos, como o Aedes aegypti, por transmitirem doenças, são os animais que mais matam no mundo: são cerca de um milhão de óbitos por ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Eles se proliferam em abundância a cada verão. A principal medida de combate a esses insetos é não deixar água parada. O professor Georgios Pappas Júnior comenta sobre o papel fundamental das políticas públicas de saúde nas situações em que agentes infecciosos ameaçam a sociedade.

O Estado tem papel não somente na prevenção, mas na contenção e condução desses cenários. É preciso estabelecer o monitoramento dos focos incipientes de uma doença, alertar a população e agir na contenção”, esclarece. O pesquisador afirma ainda que, durante a progressão da doença, as condições hospitalares para tratamento devem ser garantidas.

E enumera os passos seguintes e as ações permanentes por parte do Estado. “Posteriormente, ações de prevenção futura, como campanhas de vacinação, saneamento básico e garantir a infraestrutura em unidades de saúde. Por fim, é muito importante ressaltar o imperativo de fomento a pesquisas científicas em diversas áreas para caracterizar os aspectos biológicos dos patógenos e da enfermidade, desenvolvimento de drogas e testes diagnósticos, modelagem estatística e desenvolvimento de softwares”.

O que é a presença constante de uma doença ou de um agente infeccioso em determinada área geográfica?

Presença constante de uma doença ou de um agente infeccioso em determinada área geográfica; pode significar, também, a prevalência usual de determinada doença nessa área.